sexta-feira, julho 19, 2013

A RAZÃO DO FALHANÇO NEGOCIAL

Muitos só tomaram conhecimento do falhanço das negociações pedidas por Cavaco Silva quando António José Seguro veio a público dar a notícia, durante o jornal da noite das nossas televisões, contudo devem andar muito distraídos.

Cavaco Silva tinha já dado o golpe de morte nas negociações, com a cumplicidade do DN que plasmou na sua 1ª página o título fatal: Cavaco elogia luta contra ratos e coelhos que destruíram a riqueza. Ao que consta PSD, PS e CDS sentiram-se atingidos por tanta falta de solidariedade do presidente.

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Miragem by Palaciano

quarta-feira, julho 17, 2013

A INEVITABILIDADE DAS REVOLUÇÕES



As revoluções não são factos que se aplaudam ou que se condenem. Havia nisso o mesmo absurdo que em aplaudir ou condenar as evoluções do Sol. São factos fatais. Têm de vir. De cada vez que vêm é sinal de que o homem vai alcançar mais uma liberdade, mais um direito, mais uma felicidade. Decerto que os horrores da revolução são medonhos, decerto que tudo o que é vital nas sociedades, a família, o trabalho, a educação, sofrem dolorosamente com a passagem dessa trovoada humana. Mas as misérias que se sofrem com as opressões, com os maus regímens, com as tiranias, são maiores ainda. As mulheres assassinadas no estado de prenhez e esmagadas com pedras, quando foi da revolução de 93, é uma coisa horrível; mas as mulheres, as crianças, os velhos morrendo de frio e de fome, aos milhares nas ruas, nos Invernos de 80 a 86, por culpa do Estado, e dos tributos e das finanças perdidas, e da fome e da morte da agricultura, é pior ainda. As desgraças das revoluções são dolorosas fatalidades, as desgraças dos maus governos são dolorosas infâmias.

Eça de Queirós



domingo, julho 14, 2013

CAPA NEGRA, ROSA NEGRA



Capa negra, rosa negra
Rosa negra sem roseira
Abre-te nem nos meus ombros
Como o vento na bandeira.

Abre-te bem nos meus ombros
Vira costas à saudade
Capa negra, rosa negra
Bandeira da liberdade.

Eu sou livre como as aves
E passo a vida a cantar
Coração que nasceu livre
Não se pode acorrentar.

Este fado tem a letra de Manuel Alegre, a música é de António Portugal e de Adriano Correia de Oliveira, e é interpretada por Adriano Correia de Oliveira.


quinta-feira, julho 11, 2013

CITAÇÃO INFELIZ

Assunção Esteves, Presidente da Assembleia da República, citou Simone de Beauvoir a propósito de protestos nas galerias da AR. Claro que está no seu direito de citar quem bem deseje, contudo não lhe fica bem ameaçar mudaras regras de acesso às galerias por causa dos protestos não lhe bastando mandar evacuar o espaço.

A citação "não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes", não se enquadrava com a situação actual, pois creio que Assunção Esteves não desejou comparar o governo actual aos ocupantes nazis durante a segunda guerra mundial.

Mais condizente com a actual situação será o bem conhecido poema de Pessoa que abaixo se reproduz.


Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

quarta-feira, julho 10, 2013

A DEMOCRACIA E O CAPITAL



As sociedades sempre tiveram regras que asseguram a convivência das pessoas e dos interesses, regras essas que conferem deveres e direitos para todos.

Épocas houve em que alguns não tinham direitos, com a escravatura por exemplo, mas a consciência social acabaria por se impor e os direitos humanos acabaram por ser consagrados pelo concerto das nações.

Quando o ocidente tinha atingido algum equilíbrio social, eis que o mundo da alta finança faz asneira e lança muitas economias em profunda crise económica. Os cidadãos são chamados a pagar a crise e a financiar bancos e outras instituições financeiras, lançando a economia para uma recessão que estamos ainda a viver.

Insaciável, o mundo da alta finança e da especulação, que nos lançou para o buraco, vem agora dizer “ a culpa é da Constituição e da protecção que esta dá aos trabalhadores, mas também da contestação social, potenciada pelo direito de realizarem manifestações e demais protestos contra as mudanças indesejadas”.

Estes “defeitos econstrangimentos sociais” foram conquistados com muito esforço de muitos, mas estes senhores que são os culpados pela crise que se vive, pretendem sacrificar a Democracia aos seus interesses especulativos, numa ganância imensa e perfeitamente escandalosa.



segunda-feira, julho 08, 2013

O VALOR DA PALAVRA DE PORTAS E COMPANHIA



Há quem diga que Portas foi o grande perdedor desta crise entre os partidos da coligação, ainda que eu pense que são os portugueses no seu todo que sairão perdedores se esta coligação se mantiver no poder mais um dia que seja.

Qual o papel de Paulo Portas enquanto vice primeiro-ministro, na coordenação das negociações com a troika, depois de já te afirmado, preto no branco, que defendia a renegociação e flexibilização das metas, relativamente à troika? Será que também vai dizer que a decisão afinal era revogável?

A credibilidade de Passos é péssima depois de ter feito o contrário do que prometeu em campanha eleitoral, a de Portas depois da “demissão irrevogável” que afinal não o era está ao mesmo nível, e a coligação artificial sob a bênção da troika e de Cavaco Silva não defende de modo nenhum os interesses nacionais.

As eleições são a única solução verdadeiramente real e democrática, se não acontecer de imediato é uma traição ao povo e à Democracia, que estes senhores dizem defender mas que não respeitam minimamente.

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Humor e Espionagem