quinta-feira, julho 24, 2014

NATUREZA



"O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo."

Blaise Pascal


By Palaciano

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terça-feira, julho 22, 2014

ECONOMIA?

Por facilidade fala-se muito em economia mesmo, quando o assunto é mais próximo da especulação capitalista ou até da fraude de colarinho branco. O objectivo é geralmente o de branquear procedimentos criminosos, ou de minimizar as suas consequências nas vidas de todos nós, e do país.

O que tem acontecido nas instituições bancárias não se resume apenas à má gestão financeira, mas tem sido também ocultação de dados relevantes por parte dos banqueiros, e dos seus homens de mão, manipulação de entidades permeáveis ao suborno, quer na economia quer na política, criando uma rede de cumplicidades e de favores que ajudam a encobrir muitas irregularidades.


O que tem sido a consequência mais dramática, e menos referida, é a subtracção de capitais que deviam ser canalizados para investimento produtivo, e para a criação de emprego, usando a riqueza criada para recapitalizar os bancos, muitos deles coniventes nas más práticas que nos conduziram a esta situação de crise. 
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Foto

By Palaciano

domingo, julho 20, 2014

FLOR QUE NÃO DURA

Flor que não dura 
Mais do que a sombra dum momento 
Tua frescura 
Persiste no meu pensamento. 

Não te perdi 
No que sou eu, 
Só nunca mais, ó flor, te vi 
Onde não sou senão a terra e o céu.
 


Fernando Pessoa
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Fotos do Palaciano
By Palaciano

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sexta-feira, julho 18, 2014

FARTO…

Há dias em que simplesmente nos apetece fugir da realidade, ignorar as notícias, fugir de gente chata e aproveitar um pouco a natureza.

O tempo não estava grande espingarda, as nuvens escondiam o sol por largos minutos e corria uma aragem que convidava ao passeio.

A máquina fotográfica ajuda-nos a ver o mundo de outro modo, e fica-nos sempre a vontade de capturar o que de mais belo encontramos por onde andamos.


Farto de tudo o resto, aqui ficam duas de muitas fotos que tirei nestes últimos dias…
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Fotos

O bichinho estava lá e ficou no boneco...

Muito perto de Sintra

quarta-feira, julho 16, 2014

O VÓTIMO

O vómito da semana é:

“As pessoas que não são pobres acham que aquilo (aumento do salário mínimo) tem impacto benéfico sobre os pobres, mas a pobreza é muito traiçoeira”
Vejam só o que o sermão esconde...

segunda-feira, julho 14, 2014

MERCADOS E PREDADORES

É curioso que seja agora uma família de banqueiros, e os seu negócios, que estejam a experimentar a "ditadura dos mercados" que tanto prezavam. Tenho pena que esses tais "mercados" pouco se importem em castigar inocentes na sua voragem, como culpados e predadores da mesma espécie. Uns nada fizeram para merecer a má sorte, outros pelo contrário têm inúmeras culpas no cartório, e apenas experimentam um pouco do seu próprio remédio...


sábado, julho 12, 2014

LIBERALIDADES



Quantas vezes oferecemos ou recebemos presentes simbólicos da parte de pessoas com quem temos negócios ou qualquer tipo de relações profissionais, que na generalidade dos casos se limitam a uma garrafa de whisky ou uma caixa de garrafas de vinho, no caso dos homens, que é o que eu conheço melhor.

As ofertas simbólicas começaram, recentemente, a ser condenadas no sector público, por poderem configurar casos de corrupção, mais ou menos graves. Não me consta que no sector privado se verifiquem este tipo de proibições, pelo menos vertidas em em lei, para ofertas simbólicas.

Vem a este propósito o presente de 14 milhões de euros recebidos por Ricardo Salgado, o banqueiro do regime recentemente caído em desgraça, da parte do construtor José Guilherme, que não é considerado crime, mas sim uma oferta em dinheiro com o enquadramento jurídico e com o nome “liberalidade”.

Fiquei a saber que a tal garrafa de whisky dada a um funcionário público pode ser considerada crime, apesar de ser uma oferta simbólica, e que o “presente” de 14 milhões de euros dados a um banqueiro, é uma ” liberalidade” prevista na lei. Ajudem-me a descodificar esta coisa, que eu tenho muita dificuldade em entender…



sexta-feira, julho 11, 2014

VIRTUDES EXCLUSIVAS



Nas últimas duas décadas tem vingado em Portugal a teoria de que o que é público é mal gerido, é despesa e se resume a desperdício e burocracia, por oposição ao sector privado, onde se encontram os melhores exemplos de gestão, onde se minimizam os desperdícios e onde a produtividade é maior.

A teoria não tem pés nem cabeça e leva-nos a pensar que temos dois tipos de portugueses, os que estão no sector público, e os que estão no sector privado, e que têm mentalidades e capacidades diferentes. Claro que a teoria foi lançada por quem tem objectivos concretos, que até já ocorreram, que se resumiram à entrega dos sectores mais lucrativos, que estavam no domínio público, a privados para onde depois se bandearam muitos políticos que abraçavam e defendiam a teoria.

É curioso que muitos dos gestores públicos passaram para o sector privado, e vice-versa, mas a teoria continuava a ser defendida pelos mesmos “iluminados”.
 
O sector bancário tem sido um exemplo perfeito da inadequação da teoria e da sua falta de consistência. Este sector foi e é responsável por grande parte dos nossos problemas económicos e os casos do BCP, BPN, BPP, BANIF e agora do BES, para não falar do recurso da maioria dos bancos a empréstimos com o aval do Estado, são a prova evidente de que a tal dicotomia não existe, e que só um Estado forte e despartidarizado seria capaz de controlar os desmandos económicos a que o liberalismo extremo nos tem conduzido. 


quinta-feira, julho 10, 2014

terça-feira, julho 08, 2014

COM O PASSO TROCADO



Paulo Portas acostumou-nos a discursos e tiradas oportunas, pois sempre se mexeu bem nos meandros da comunicação social, e encontrava sempre maneira de adequar as palavras ao pulsar das audiências.


Claro que muita gente achava Portas um oportunista de verbo fácil, um demagogo, ou um populista, mas a verdade é que muitos foram na sua “cantiga”.


Os tempos passaram, e Portas atingiu cadeiras do poder, afastando-se assim do pulsar das pequenas e das grandes audiências populares, e intoxicado pela propaganda do seu governo, deixou de saber adequar as suas tiradas à realidade, perdendo também o sentido de oportunidade.


Esta semana, ao mesmo tempo que o Eurogrupo veio dizer “que é prioritário baixar os impostos directos sobre o trabalho”, Portas “espalha-se”, pois ao querer mostrar que a economia portuguesa “está melhor”, acenou com a baixa do IRC em Portugal.


A agenda do governo português não se mostra de passo acertado com a Europa, e muito menos com o querer da maioria da população, mas isso acontece muito a quem segue cegamente “a voz do dono”, e deixou de ter opinião e de ouvir o que está ao seu redor… 

domingo, julho 06, 2014

MAIS UM BANCO LARANJA

Depois de uma gestão familiar que foi tudo menos transparente ou exemplar, o BES foi "obrigado" a nomear uma nova gestão de "pessoas independentes" aprovada pelos accionistas, e sobretudo pelo Banco de Portugal.
 
Será "apenas uma coincidencia", mas as novas nomeações são de nomes ligados a Cavaco Silva e ao PSD.

Os depositantes e os contribuintes ficam à espera que "a coincidência" alaranjada não dê um resultado tão mau como uma outra num outro banco, também ele "por coincidência" alaranjado, que teve de ser nacionalizado, e está a ser pago por todos nós.

Para que conste, o demissionário Ricardo Salgado acusava os portugueses de viverem de subsídios, tendo depois pedido ajudas ao Estado, e que Vítor Bento foi o autor da ideia de que "os portugueses viveram acima das suas possibilidades", o que ainda irá ser uma arma de arremesso que o há-de atingir.


terça-feira, julho 01, 2014

DONA ABASTANÇA

«A caridade é amor» 
Proclama dona Abastança 
Esposa do comendador 
Senhor da alta finança. 

Família necessitada 
A boa senhora acode 
Pouco a uns a outros nada 
«Dar a todos não se pode.» 

Já se deixa ver 
Que não pode ser 
Quem 
O que tem 
Dá a pedir vem. 

O bem da bolsa lhes sai 
E sai caro fazer o bem 
Ela dá ele subtrai 
Fazem como lhes convém 
Ela aos pobres dá uns cobres 
Ele incansável lá vai 
Com o que tira a quem não tem 
Fazendo mais e mais pobres. 

Já se deixa ver 
Que não pode ser 
Dar 
Sem ter 
E ter sem tirar. 

Todo o que milhões furtou 
Sempre ao bem-fazer foi dado 
Pouco custa a quem roubou 
Dar pouco a quem foi roubado. 

Oh engano sempre novo 
De tão estranha caridade 
Feita com dinheiro do povo 
Ao povo desta cidade.
 

Manuel da Fonseca