
Comemora-se hoje o Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, que é um dos flagelos da humanidade que muitos julgam restrito aos países subdesenvolvidos. A realidade, infelizmente é outra, e em Portugal está a aumentar.
Não sou um adepto das estatísticas, embora as vá consultando com regularidade, mas mesmo entrando por aqui podemos ter uma ideia dos resultados das políticas económicas liberais, seguidas nos últimos anos.
As estatísticas conhecidas, e divulgadas ontem, referem-se aos anos de 2004 e 2005 mostram que 1 em cada 5 portugueses estão em risco de pobreza. Claro que isto revela objectivamente que cerca de 20% da população não tem recursos suficientes para enfrentar o custo de vida e viver segundo padrões aceitáveis na nossa sociedade. Este resultado é obtido depois da atribuição das ajudas sociais, a que correspondem cerca de sete pontos percentuais, o que quer dizer que a realidade ainda é mais negra.
Temos os piores resultados na distribuição dos rendimentos em toda a Europa, e lideramos em percentagem de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza.
Hoje já não são pobres só os que não trabalham, idosos e desempregados, mas também muitos dos que trabalham e auferem portanto rendimentos desse trabalho, que contudo não garantem níveis de subsistência minimamente decentes. As dificuldades económicas que o País atravessa não são explicação aceitável, embora sejam as que nos dão, porque o que se vê e fica bem evidente mesmo nas estatísticas oficiais, é que o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres aumentou consideravelmente, provando-se que a redistribuição da riqueza, para a qual os governos têm mecanismos legais ao seu dispor, não funciona.
O liberalismo económico e a ficção de que o mercado se auto regula por si mesmo, já falharam rotundamente no passado e estão a falhar no presente, aumentando as desigualdades e diminuindo os direitos dos cidadãos, causando tensões que a curto ou médio prazo serão insustentáveis.

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Fotos - Flores Coloridas