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quarta-feira, outubro 05, 2022

O APRENDIZ DE VIDENTE

António Costa tem-nos brindado com previsões sem qualquer valor ou sustentação, mas o que é pior é que as usa para justificar baixos aumentos de salários e pensões.
 
O ano passado, e mesmo contra todas as previsões conhecidas na altura, disse que os aumento de 1% ou até ligeiramente abaixo disso se justificavam, e não haveria necessidade nenhuma de aumentos intercalares, porque a inflação era passageira. A realidade desmentiu as suas declarações e em Dezembro de 2021 já era de 2,7%, mais do dobro da inflação média do ano.
 
O ano de 2022 está a ser devastador para a economia dos cidadãos, e já está a tocar os dois dígitos, mas Costa não aprendeu nada com o erro do ano anterior, e decide fazer previsões de baixa da inflação para justificar o roubo aos pensionistas e os baixos aumentos dos funcionários públicos, que obviamente se irão alastrar aos privados. 
 
É sabido que os preços altos que se vão atingir neste ano não vão baixar no próximo ano, por muito baixa que fosse a inflação. Os salários e pensões que não acompanharam a inflação vão perder ainda mais valor, e as dificuldades dos cidadãos serão muito maiores.
 
Costa bem pode ir à bruxa para lhe dar umas dicas sobre o futuro, mas o que é certo é que a sua palavra já não vale nada e não convence os portugueses. 



 

terça-feira, setembro 11, 2018

OS VIGILANTES DOS NOSSOS MUSEUS


Uma notícia do DN, veio trazer a lume, mais uma vez, a carência destes profissionais, ainda que não abordando todas as suas razões.

Este problema começou há muitos anos (mais de duas décadas) e coincidiu com o começo dos programas de ocupação de jovens nas suas férias, e com os de ocupação de desempregados, que se tornaram um hábito, até porque significavam alguma poupança, e os governos gostavam disso.

Enquanto se recorria a estes esquemas, tantas vezes denunciados pelos trabalhadores do sector, o pessoal dos quadros ia envelhecendo, e as admissões eram adiadas, até serem congeladas. Onde estava então o senhor António Pimentel?

Neste meio tempo entre o recurso aos desempregados e o congelamento das admissões, alguém teve a ideia peregrina de transformar a carreira de vigilante de museus numa carreira comum, passando a assistentes técnicos, mas com um horário de trabalho específico, o que é no mínimo inconstitucional, por ser discriminatório, já que lhes retira a possibilidade do pagamento diferenciado dos sábados e domingos, como é devido aos restantes assistentes técnicos.

O mau resultado veio depois quando se abriram concursos para novas admissões, e logo que entravam os novos vigilantes, ficava logo claro que estavam de passagem rumo a outros ministérios onde não eram forçados a trabalhar, feriados, sábados, domingos e tolerâncias de ponto.

O director do Museu de Arte Antiga refere que recorre a tarefeiros, que tem cerca de 17 vigilantes do quadro, 17 conservadores, 8 bolseiros, uns 15 desempregados, e que gostaria de entregar boa parte da vigilância a empresas de segurança, referindo a responsabilidade civil, seja isso o que for.

António Filipe Pimentel é também um dos subdirectores-gerais da DGPC e mostra o pouco interesse que tem pelos vigilantes do seu museu, preferindo seguranças de empresas externas, como no passado fizeram com o pessoal de limpeza, e outras tarefas desempenhadas por aquilo que hoje designamos os assistentes operacionais.

Quando se reformarem os poucos e envelhecidos vigilantes (assistentes técnicos), os museus continuaram a existir, mas a sua experiência ter-se-á perdido, e os tais conservadores e outros técnicos superiores terão grandes dores de cabeça, e terão que deixar as suas cadeiras confortáveis e os seus gabinetes, para meter a mão na massa. Cá se fazem, cá se pagam…