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terça-feira, setembro 25, 2018

DE EXCEPÇÃO EM EXCEPÇÃO…


Em Portugal sempre existiu, e existe, o nacional porreirismo, que se traduz no “jeito”, na “cunha”, e na “excepção”, que parecendo actos inofensivos são na verdade comportamentos que acabam por se tornar banais e prejudiciais para todos.

Não se julgue que estou a falar dos grandes assuntos que descambam em corrupção, favorecimento ilícito, ou outro qualquer crime, daqueles que enchem páginas dos jornais, mas sim de coisas que vemos todos os dias, e às quais nem prestamos grande atenção.

Quando queremos resolver algum assunto, falamos com um amigo que nos ajuda a ultrapassar as dificuldades, ou o tempo de espera. Se queremos encontrar um emprego para uma amigo ou familiar, há sempre alguém bem colocado, ou com bons contactos, que contactamos. Se temos alguma pressa estacionamos mal ou quebramos uma ou duas regras de trânsito. Quanto aos horários queremos sempre que as lojas ou serviços abram a horas, mas quanto ao fecho queremos sempre mais um bocadinho, e se o pedido não for aceite, lá vem a ameaça de queixa ou reclamação.

Estes comportamentos tão habituais dizem muito sobre o rigor com que encaramos as regras, sejam elas as leis sejam apenas as do bom senso. É difícil mudar comportamentos, mas talvez tudo pudesse melhorar um bocadinho…


O retrato

sábado, outubro 29, 2016

OBVIAMENTE, DEMITO-O

Não estou a pensar em falar, hoje, de Humberto Delgado, apesar da autoria desta frase, mas sim da polémica da equipa escolhida para comandar a Caixa Geral de Depósitos.

A escolha da equipa de António Domingues para a administração da CGD, até nem é o que está em causa, já as condições em que esta está preparada para funcionar, causam uma grande celeuma, e o caso não é para menos.

Os salários elevados obrigaram a uma alteração lei de excepção, o que já era um mau sinal, mas o facto do presidente nomeado se mostrar disposto a não apresentar a sua declaração de rendimentos, alegando um parecer jurídico, é inconcebível e impossível de sustentar, exactamente porque o banco não é da propriedade do governo, mas sim dos portugueses, independentemente das suas preferências políticas.


Um qualquer gestor de qualquer banco tem que merecer a confiança da maioria dos seus accionistas, e António Domingues parece não ter isso em conta, pelo que o caminho da saída é o único que lhe resta, depois de ter publicamente negado apresentar a sua declaração de rendimentos.