sexta-feira, abril 13, 2012

O LOGRO DOS NÚMEROS

Não sou muito crédulo em relação às estatísticas, e são muitas as vezes que considero mesmo que os números fornecidos não batem certo com o que eu sinto na carteira, e no que eu observo ao meu redor.

Quando li hoje que a inflação homóloga baixou 0,5% relativamente à de Fevereiro fico deveras desconfiado. Prestei atenção às variações positivas e não vi onde estava a do preço dos combustíveis e do gás, e fiquei espantado pelas variações negativas do calçado e do vestuário, considerando que os saldos já tinham terminado.

Claro que as variações reais de Fevereiro para Março são de 1,2%, e isso é o que nós sentimos realmente no bolso, atendendo ao facto de que auferimos salários cada vez mais baixos.

Também a propósito de números ficámos todos a saber que os portugueses são os que mais gastam em comida, só ultrapassados pelos espanhóis. Isto não é novidade, e talvez nem estejamos em 2º lugar como dizem, mas sim em primeiro.

O que realmente quer dizer o facto de sermos os que mais gastamos em alimentação, é que relativamente aos rendimentos somos os que despendemos a maior percentagem em comida, exactamente por ter-mos salários muito baixos. Não sei se alguém informou a ministra Assunção Cristas, porque parece que ela não sabe e até pretende aumentar a nossa factura alimentar com mais uma taxa.


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Humor - Jantar de crise
Zygmunt Zaradkiewicz
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Pintura - Pobreza

quarta-feira, abril 11, 2012

A ESCALADA DOS ASSALTOS

Portugal vive tempos difíceis resultantes de duas décadas de má governação, facto nunca admitido pelos actuais e antigos governantes que preferem atirar as culpas para os outros e para o povo, dizendo sem vergonha nenhuma que os portugueses viveram acima das suas possibilidades.

O resultado dos problemas económicos foi o pedido de ajuda internacional e o acordo com a troika, o que resultou num programa de austeridade que empobreceu a grande maioria dos portugueses.

Com muita gente na miséria ou perto dela, os assaltos aumentaram, apesar das estatísticas habituais que pretendem demonstrar o contrário daquilo que é evidente.

Mas a escalada dos assaltos existe também por parte do governo, que desde que tomou posse não deixou passar uma só semana sem anunciar uma medida gravosa para os bolsos dos portugueses, ou contra os seus direitos laborais e sociais.

Não é mais suportável este assalto constante e a instabilidade causada pelas contínuas medidas tomadas pelo governo. Os portugueses já não sabem com o que é que podem contar, nem têm certezas nenhumas quanto ao presente nem quanto ao seu futuro. É impossível projectar o futuro com esta falta de estabilidade, onde está sempre tudo em causa, desde o emprego, ao salário, aos impostos, ás reformas e à protecção social.

Este governo fomenta a instabilidade social e emocional dos portugueses merece ser contestado e destituído pois há muito que perdeu a legitimidade decorrente das eleições.

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Humor - Subida aos Céus

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Foto - Ar Feroz

terça-feira, abril 10, 2012

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA



Trova do Vento que Passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
o vento nada me diz.

La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la, [Refrão]
La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la. [Bis]

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

segunda-feira, abril 09, 2012

PREOCUPAÇÕES SOCIAIS

O actual governo mostra ser um executivo completamente de direita, ultraliberal e completamente alheio às dificuldades dos mais desfavorecidos.

O saldo da Segurança Social, o menor dos últimos 30 anos, é apenas mais um resultado das políticas dum executivo para quem as finanças são mais importantes do que as pessoas.

Imagine-se só como estariam as contas da Segurança Social se o Estado em vez de enterrar diversos milhares de milhões no BPN, os tivesse investido no financiamento da Segurança Social. Se a Caixa Geral de Depósitos não tivesse emprestado dinheiro a diversos investidores para lançarem uma OPA sobre outro banco que agora tem acções que valem pouco mais de 10 cêntimos.

Também vale a pena equacionar a possibilidade de investir em políticas activas de emprego em vez de ficar como garante do financiamento da banca privada. Quanto se pouparia ao erário público se o argumento de emergência nacional fosse utilizado para renegociar as parcerias público privadas em vez do corte dos subsídios dos funcionários públicos e pensionistas, que têm reflexos imediatos na actividade económica e no arrecadar de impostos.

Não é necessário ser-se um grande economista para encontrar alternativas às políticas deste governo, e o exemplo do garoto que indicou uma forma prática para a Grécia sair do euro sem grandes convulsões, está aí para o demonstrar.

As preocupações sociais não se anunciam, demonstram-se quando é mais necessário, e os tempos são de necessidade.

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Imagem - A Fome

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Humor - Coelhos da Cartola