Nestes últimos dias li uma
notícia cujo título me chamou a atenção, e o quanto ao texto que se seguia,
revelava a dificuldade de entender a mistura de sentimentos que atravessa a
cabeça de muitas pessoas que tiveram que deixar as chamadas colónias nos anos
70 do século passado.
Começando pelo título “ para a
maioria dos colonos, a possibilidade de abandonar África era nula”, diria que o
termo “colonos” é uma simplificação que pode distorcer a compreensão do que se
quer perceber.
Talvez fosse importante perguntar
aos alvos do estudo se alguma vez se sentiram como colonos, ou se pelo
contrário sentiam aquelas terras como as suas terras. Talvez tivessem uma
surpresa, pois ignoraram desde o princípio que muitos dos que fugiram para
Portugal, eram já naturais daquelas terras, ou nelas tinham as suas vidas há
décadas.
Quanto aos traumas e à integração
dos que fugiram daqueles territórios africanos, é verdade que existem alguns
traumas, outros fugiram deles concentrando-se em refazer as vidas, colocando
uma pedra sobre o passado, ainda que nunca tenham conseguido esquecer os
territórios que amavam.
