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terça-feira, abril 03, 2012

OS MAUS POLÍTICOS

Portugal, melhor, os governantes portugueses gostam de andar sempre na linha da frente mostrando ser excelentes alunos, e os resultados costumam ser condizentes com a sua ambição, ainda que sempre com um sinal negativo.

A nossa economia vai de mal a pior e a dívida pública nacional cresce a cada dia que passa, sendo que temos um governo que não só segue à risca as indicações dos agiotas que nos “ajudaram”, indo mesmo além do que lhe é exigido. Os resultados são por demais conhecidos e estamos no pódio dos países europeus em pior situação económica.

Os preços da gasolina que vamos tendo são dos mais elevados existentes na Europa á saída das refinarias e antes de impostos, com a bênção da autoridade da concorrência e do governo. Também aqui estamos no top 5 dos preços mais elevados.

Com as políticas iluminadas da troika e dos partidos signatários do plano de resgate, somos o país europeu onde o desemprego mais subiu em 2011, e em 2012 vamos pelo mesmo caminho tendo já atingido números nunca vistos em Portugal, muito acima mesmo dos que tivemos na segunda metade da década de 70 do século passado, quando retornaram ao país os portugueses que abandonaram as antigas colónias. Aqui estamos no 3º lugar do pódio a nível da UE.

Não sei como devemos classificar os nossos governantes sem ser ofensivo, mas creio que o seu desempenho merece o pódio de más prestações no espaço europeu.


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Humor Lanzudo

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Foto de Amigo
By Palaciano

quarta-feira, março 21, 2012

FEIJÃO-FRADE

Não vos venho falar da planta da família das leguminosas, vigna unguiculata, nem das diversas receitas possíveis em que este feijão pode ser utilizado, mas sim do que se diz das pessoas que têm duas faces como o feijão-frade.

Falo obviamente de duas personalidades da política nacional, que cumprindo a tradição de todos os maus políticos, tiveram uma posição enquanto estiveram na oposição e têm outra diametralmente oposta agora que estão no poder.

Para começar temos Passos Coelho que em 2008, então na oposição, pediu a descida do imposto que incide sobre os produtos petrolíferos, e que agora, enquanto 1º ministro, não actua em conformidade, e mantém inalterado o imposto, dificultando a retoma da economia e asfixiando as economias familiares.

Outro exemplo da dualidade do discurso dos políticos nacionais é dado por Eduardo Catroga, que quando o PSD estava na oposição dizia que existiam rendas pagas pelo Estado que eram muito acima do normal, mas agora que o PSD está no governo, e ele próprio está na EDP, já diz que é preciso fazer bem as contas.

Costuma dizer-se que o feijão-frade tem duas caras, mas como se sabe há por aí muita gente com duas caras, que se gaba da sua coerência mas que sucumbe às conveniências próprias e aos interesses instalados.


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Foto - Primavera

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Memórias

terça-feira, março 13, 2012

DIREITOS SÓ PARA ALGUNS

Ainda há pouco tempo se discutia se os direitos adquiridos dos cidadãos podiam ser postos em causa pelos governos sob qualquer pretexto. A discussão não era apenas teórica, mas os contornos jurídicos não foram ainda analisados.

Como curiosidade registe-se que algumas pessoas com ligações óbvias ao poder afirmaram que não há direitos adquiridos que não possam ser postos em causa, para além dos direitos fundamentais. A esponja que esses indivíduos passam sobre o texto da Constituição Portuguesa dizem bem do seu conceito de Democracia e de Estado de Direito, mas eles andam aí, e têm responsabilidades públicas.

Uma outra curiosidade prende-se com os direitos das grandes empresas privadas que participam em parcerias público privadas, ou que detém monopólios naturais outrora propriedade do Estado. Estas empresas têm contratos com o Estado, com condições leoninas, e os seus direitos não podem ser beliscados.

Resumindo as coisas temos que, os cidadãos não vêem respeitados os direitos adquiridos, já as grandes empresas escudadas em contratos “blindados” têm garantidos os seus direitos, seja qual for a situação do país.

Podia aqui elencar a Lusoponte, protagonista de um episódio caricato bem recente, ou a EDP que protagonizou o episódio mais recente que até teve reflexos no governo. Em sentido contrário podia citar os cortes dos subsídios de férias e de Natal, ou as alterações constantes das condições de reforma para trabalhadores com longas carreiras contributivas.

É difícil ver que o governo tem dois pesos e duas medidas consoante se trate de poderosos ou indefesos? Então a emergência nacional só serve para atacar os direitos de alguns? O governo não faz cedências como diz Passos Coelho?


sexta-feira, março 02, 2012

O POVO E O PODER

Em Democracia todos partimos do princípio que os eleitos são gente de palavra e que portanto vão, durante o seu mandato, respeitar os seus compromissos para com os eleitores.

Infelizmente a política já deixou de ser aquela actividade nobre a que se candidatavam os homens bons, dispostos a honrar a sua palavra e a entregar-se de corpo e alma ao serviço público.

Hoje a política transformou-se na arte do embuste, e os seus protagonistas estão mais preocupados com interesses próprios e com outros interesses particulares, de indivíduos ou de grupos para onde depois vão trabalhar com ordenados chorudos.

Os povos começam a escrutinar cada vez mais de perto os seus políticos e cada vez mais reagem perante os desmandos dos governantes, mesmo os legitimados pelo voto. Não assistimos apenas à Primavera árabe, ou aos tumultos da Grécia, mas também às manifestações um pouco por todo o mundo ocidental.

O poder começa a ser contestado sempre que os resultados desagradam aos cidadãos, ou sempre que estes se esquecem de governar para o bem dos seus cidadãos. Os políticos começam a ser confrontados com os seus compromissos por cumprir, e começam também a ser responsabilizados pelos seus actos, como aconteceu recentemente na Islândia.

Aos políticos já não basta dizerem-se legitimados pelo voto, agora têm também que o provar pelos seus actos e pelo cumprimento da sua palavra. A impunidade dos políticos irá acabar conforme a consciência cívica dos cidadãos vá crescendo. Habituem-se porque isto é contagioso e o descontentamento stá em crescendo.


sábado, fevereiro 04, 2012

CONVERSA DA TRETA

Imagine-se que os partidos do governo, PSD e CDS aprovaram na generalidade, na Assembleia da República, a lei dos compromissos do Estado. Isso mesmo, a lei dos compromissos.

Esta legislação regula a assunção de compromissos e pagamentos em atraso, impõe sanções e proíbe a assunção de despesas com base em previsões de receitas. Esta lei permite ainda ao executivo usar as receitas dos fundos de pensões da banca, para pagamentos de dívidas em atraso, apesar destas serem obviamente necessárias para pagamentos futuros da Segurança Social, com os encargos dos trabalhadores da banca.

Os partidos do governo argumentaram que a medida era moralizadora, criaria emprego e fazia do Estado “uma pessoa de bem”. Mesmo dando de barato que pudesse ajudar a criar emprego, o que não acredito, fiquei abismado com aquela de fazer do Estado “uma pessoa de bem”.

Tanto os deputados do PSD como os do CDS, que aprovaram o corte dos subsídios de férias e de Natal aos pensionistas e funcionários públicos, sabem que ajudaram a que o Estado deixasse de poder ser considerado uma pessoa de bem, violando um compromisso do Estado e violando a própria Constituição?

Talvez seja também altura de denunciar que apesar de tudo o que disseram, já estão a preparar a descida da TSU, condenando a Segurança Social à falência? Vêm agora falar em “pessoas de bem” quando se fartam de defraudar as legítimas expectativas dos cidadãos deste país?

Que falta de vergonha!


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Humor Porcalhão

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Pintura
By Studiounderthemoon