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sábado, junho 05, 2021

PATRIMÓNIO NA PENÚRIA

Portugal parece que tem uma ministra da Cultura, pelo menos é o que dizem, e tem também uma Direcção Geral do Património Cultural (DGPC), e ambos ocupam boa parte do Palácio da Ajuda, mas os museus, monumentos e palácios que deles dependem estão na absoluta penúria.

Há poucos dias saiu uma notícia sobre salas fechadas no Museu de Arte Antiga (MNAA), e a razão aduzida foi a da falta de pessoal de vigilância. Não foram poucos os que disseram que podia ser por causa das férias, e até que faziam pouca falta podendo ser substituídos pela vigilância electrónica.

Quem conhece bem o funcionamento destes serviços sabe bem que os problemas são outros, e que a sua resolução é da responsabilidade da tutela. Problemas como a falta de meios humanos, meios materiais, e de condições de trabalho não podem ser resolvidos nos serviços.

A situação de penúria não se esgota em salas encerradas, pois também há problemas como a falta de ar condicionado, problemas com elevadores, instalações eléctricas deficientes e perigosas, problemas informáticos, avarias de casas de banho, falta de lâmpadas, e até falta de energia eléctrica.

A senhora ministra não tem peso político, e talvez vontade, para dar recursos para resolver os problemas, e a DGPC é um monstro inoperante (falavam do antigo IPPC), que consome muitos recursos e sendo centralizador, não tem também a agilidade para actuar atempadamente.

Há quem esteja iludido com o dinheiro da raspadinha do Património, mas é uma ilusão, porque sem mudanças radicais não se dará dignidade ao nosso Património.


 

quarta-feira, setembro 19, 2007

OUVIR A MINISTRA DA CULTURA

O PSD solicitou a audição da ministra da Cultura na comissão parlamentar da Educação e Cultura, que agora foi adiada por uma semana.
Na base deste requerimento está a não recondução de Dalila Rodrigues à frente do Museu Nacional de Arte Antiga, e a sua consequente substituição por Paulo Henriques. O motivo invocado parece-nos mais sonante do que substantivo, embora entronque num assunto fulcral, que se prende com a gestão dos serviços dependentes dos dois institutos responsáveis pelo nosso património móvel e imóvel.
No que toca à gestão de pessoal continua a verificar-se a falta de pessoal para garantir a normal abertura de museus, palácios e monumentos, que está a ser em parte feita à custa de pessoal contratado, que só está garantido até ao final de Setembro. É um problema de grave sem solução à vista, com a continuidade desejável e indispensável à melhoria do serviço prestado.
A gestão financeira dos serviços, apesar da autonomia anunciada quanto aos apoios mecenáticos e receitas provenientes de cedências de espaços, é uma miragem que não convence realmente ninguém, embora alguns acenem que sim para garantir um lugar, já que as dotações destinadas no orçamento para os serviços, serão sempre geridas pela tutela, ou seja pelos institutos de quem directamente dependem.
Note-se que falei apenas na gestão corrente, ligada ao funcionamento destes serviços, deixando por abordar as preocupações com a manutenção dos edifícios e das colecções, restauros e obras de maior envergadura como arranjos em coberturas, limpezas de fachadas de pedra ou pinturas interiores e exteriores, requalificação de espaços, jardins, matas e outras áreas circundantes, etc.
Será que a comissão parlamentar está devidamente documentada para questionar a ministra sobre isto, ou se vai deter só sobre Dalila Rodrigues, ignorando aquilo porque ela se bateu, que foi precisamente pelo tipo de gestão adoptado que gera todas estas preocupações e outras que não foram aqui sequer afloradas.

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Fotos - Estátuas
majya
Liana

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Humor Internacional

Patrick Chappatte

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domingo, agosto 12, 2007

A GESTÃO NO SECTOR PÚBLICO

Há alguns dias questionei os meus leitores sobre a qualidade da gestão de recursos humanos no Ministério da Cultura, podia ter sido de outro ministério ou serviço público que a questão continuaria a ser pertinente.
Um jornal diário, o Público de ontem, referia o caso anedótico de ter constatado que a Câmara Municipal de Lisboa, com os seus 11 mil funcionários, ter tido de recorrer a uma empresa externa para a simples tarefa de repintar uma passadeira de peões. Como resposta à sua estranheza, fica a explicação do director municipal: “a autarquia tem apenas uma brigada de óperários para este tipo de seviço; sendo que essa brigada só trabalha à noite e apenas pode contar com uma máquina para o serviço, máquina essa que não funciona senão com tinta normal, que demora mais tempo a secar.”
O exemplo da CML é apenas um dos muitos, que ilustram a má gestão de pessoal e de meios dedicados a tarefas absolutamente necessárias e que são sistematicamente solicitadas ou adjudicadas a empresas externas que naturalmente se fazem pagar de modo a lucrarem no desempenho da sua actividade.
Nos últimos anos tarefas básicas como limpezas, jardinagem, segurança e encaminhamento, anteriormente executadas por pessoal auxiliar e operário, passaram a ser contratadas a empresas externas, embora com custos acrescidos para os serviços. A justificação foi sempre a mesma, a diminuição do número de funcionários públicos, e nunca a diminuição de encargos. Com isto tudo verificou-se ainda o facto de terem diminuido drasticamente os trabalhadores destes grupos profissionais, sem contudo ter diminuido o número global de funcionários públicos.
É interessante observarem-se estas bizarrias da gestão pública, quando se fala em rigidez nos encargos com o funcionalismo, omitindo-se quase sempre os encargos com a contratação destes serviços ao sector privado, como se não tivesse qualquer expressão.

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Fotografia - A Mão de Deus
Nikita Vasilyev
Nikita Vasilyev

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Gai Yu - China

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