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segunda-feira, setembro 16, 2019

VISITAS GUIADAS EM MAFRA

Sempre pensei que os serviços prestados por uma entidade dependente dum ministério, no caso o da Cultura, estavam isentos de IVA, mas a evidência veio abalar as minhas certezas. É possível que eu é que esteja enganado, mas nunca se sabe pois errare humanum est, e ninguém está livre disso. 

Uma consulta ao sítio da DGPC, Bilhética, deixou-me ainda mais confuso pois nem os preços batem certo.

sábado, dezembro 17, 2016

A IMPRENSA LUSA - SONDAGENS E NÚMEROS

Todos sabemos que com certas perguntas se conseguem certas respostas e isso sem se falsearem resultados de forma grosseira. Não é necessário fazer perguntas apenas a pessoas com pouca cultura cívica ou pouca informação, como por vezes acontecia no passado, porque agora as coisas são mais científicas.

Concluir numa sondagem que os portugueses concordam com os salários elevados na CGD, consegue-se não revelando o valor dos tais salários, nem os bónus previstos, é relativamente fácil, e extrapolar que um relatório da OCDE terá registado que Portugal tem registado na última década das maiores diminuições nas disparidades salariais nos 35 países da OCDE, é quase que tão arriscado como dizer o diabo vem aí a partir de Janeiro.


Sou um leitor de jornais, DN e Expresso, mas tenho que reconhecer que a qualidade da nossa imprensa, escrita e não só, tem piorado muito nos últimos anos, e que os interesses ditam o que se noticia, e como se noticia. 

quinta-feira, dezembro 01, 2016

POR FALAR EM DITADORES

Existem pessoas a quem é dada uma tribuna para expressarem as suas opiniões, a que evidentemente têm direito, mas que não se ouvem a si próprios, para perceberem a sua falta de coerência, que até tem consequências porque a sua opinião é difundida, em meios de comunicação social ou equiparados, podendo influenciar terceiros.

Estava eu a ouvir um telejornal num dos canais nacionais, e o apresentador referindo-se a Cuba diz “… a morte do ditador…”, e eu fiquei à espera de alguma correcção. Não houve, e o apresentador passou a outras notícias de âmbito internacional. 

Mantive a televisão no mesmo canal e as notícias seguintes foram sobre Angola e Luaty Beirão, sobre a Rússia de Vladimir Putin, e sobre a Síria de  Bashar al-Assad. Em nenhum dos casos se ouviu uma só palavra sobre ditaduras, o que diz muito sobre o jornalista em questão, e sobre a sua “imparcialidade”.


A liberdade de opinião merece o meu maior respeito, mas em informação num canal público espera-se ouvir notícias e não opiniões, a menos que isso seja bastante claro, o que não foi o caso.


sábado, setembro 19, 2015

MARCELO "O SONSO"



Marcelo Rebelo de Sousa é um muito provável candidato às eleições para a Presidência da República, e isto pode concluir-se pelo que tem vindo na imprensa e mesmo pelo que ele próprio tem afirmado, ainda que sem se comprometer demasiado.

O professor e comentador de tudo e de mais alguma coisa, mantém a sua tribuna televisiva, semanal, onde analisa o que faz o governo e os seus membros, bem como a oposição, sugerindo de vez em quando que o faz com isenção, salientando que muitas vezes até é incómodo para o PSD.

Não quero discutir a legitimidade do professor quanto à candidatura, nem afirmarei que a manutenção dos comentários é incompatível com a futura candidatura, mas pergunto-me como é que ele, Marcelo Rebelo de Sousa, se pretende apresentar ao eleitorado para ser presidente de todos os portugueses, quando poucos meses antes desse escrutínio, participou activamente na campanha da coligação PSD/CDS para as legislativas.

Cada um é livre de escolher segundo as suas preferências, mas um presidente da República tem que ser isento, e Marcelo escolheu afirmar publicamente de que lado estava, e isso ficou bem claro: ele é um laranjinha dos sete costados.



quinta-feira, abril 26, 2007

SANTOS SILVA VERSUS MORAIS SARMENTO

Enquanto lemos que Santos Silva “quer todos a lutar contra o jornalismo de sarjeta” também podemos dar um salto, e ler que Morais Sarmento diz “jornalistas têm a mania que não têm sexo político”. Pode-se afirmar que as notícias não são exactamente sobre o mesmo tema e que portanto as abordagens reflectem realidades diversas. Eu penso que estamos perante duas opiniões diferentes e ao mesmo tempo complementares.
Santos Silva, com a inteligência e o tacto político que se lhe conhece, aborda essencialmente o dever de auto-regulação dos jornalistas, mencionando alguns casos onde o código de ética e deontológico não foi respeitado, como a divulgação das identidades de menores vítimas de crimes sexuais e de delinquentes menores. A isto chama jornalismo de sarjeta, expressão de que não é autor, acrescentando que em alguns casos “as más condições de trabalho facilitam erros” dos jornalistas (embora não os justifiquem).
Morais Sarmento, a propósito da nomeação de Pina Moura para a administração da TVI, lança outra abordagem muito realista sobre a possível dependência ou influência dos diversos poderes, político e económico (patronal no caso), no que respeita aos jornalistas. Reconhece que o poder político sempre pretendeu, e pretende, exercer a sua influência sobre os jornalistas, e eu acrescentaria que o poder económico, os grupos que detêm os média, também não vêm com bons olhos críticas aos seus interesses o que condiciona naturalmente o trabalho dos jornalistas. Ao falar do caso de Espanha, mostra um exemplo do que é evidente, a assumpção clara duma ideia política por parte de cada órgão de comunicação social.
Abordagens diferentes sobre o jornalismo, mas interessantes, pois deviam ser alvo de reflexão por parte dos jornalistas, já que todos compreendemos que a isenção é um mito, porque todos temos opiniões próprias e somos todos dependentes de alguém que pode não gostar de tudo o que dizemos, com todas as consequências que daí podem advir.

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