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segunda-feira, dezembro 30, 2019

A IMPRENSA COMPROMETIDA

A nossa imprensa, jornais diários e semanários, está em evidente declínio não só económico mas também no que respeita a credibilidade.

Fala-se na possibilidade de haver incentivos à imprensa , possivelmente com dinheiros públicos, e eu confesso que não concordo com isso apesar de ser um leitor assíduo de jornais. 

Para quem não anda distraído já se reparou que existem jornais que (pouco) discretamente vão dando eco à propaganda e acção do Governo, e temos jornais que representam fielmente interesses económicos e políticos. Nada disto seria condenável, se isso fosse assumido por cada  título.

Precisamos duma imprensa de qualidade, mas livre de amarras, sejam elas quais forem.  


quarta-feira, março 16, 2016

ESTA EUROPA INDESEJADA

A União Europeia, como a conhecemos hoje, diz-nos qual o tamanho da fruta que podemos exportar, qual o tamanho do carapau que é permitido pescar, quanto tomate podemos produzir, o leite que podemos produzir, o tamanho das capoeiras dos frangos, quanto sal pode ter uma carcaça, e muitas outras coisas que me dispenso de enumerar.

Depois de Cavaco Silva ter ajudado ao abate da frota de pesca, aos subsídios para não produzir na agricultura, estamos agora a ser inundados pelos excedentes de produção dos nossos parceiros europeus, que inviabilizam a venda do que ainda por cá produzimos.

Querem que os portugueses produzam mais, mas inviabilizam essa produção inundando o nosso mercado com os seus excedentes a preços de saldo. “Os nossos amigos” que têm produções subsidiadas, vendem para Portugal a preços inferiores ao que praticam nos seus países, o que não permite qualquer tipo de competição por parte dos produtores nacionais.


Será que a revisão constitucional de que alguns andam a falar vai reforçar as decisões nacionais, ou pelo contrário vamos delegar as competências que nos restam da nossa independência?


sábado, abril 11, 2015

IMPRENSA TENDENCIOSA

Com a visita do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, que aconteceu durante esta semana, apareceram diversos títulos jornalísticos, quase todos favoráveis às posições assumidas pelo governo português, dando a sensação que existe sintonia entre as posições políticas e económicas dos dois governos.

Para separar as águas basta dizer que o governo francês assumiu há muito que o défice orçamental da França será superior a 3% do PIB, pelo menos até 2017, o que nem sequer foi mencionado pela nossa imprensa.

A propósito das declarações de Valls, saliente-se o pouco relevo que tiveram as suas declarações de que “França não levou a cabo nenhuma política de austeridade, nem reduziu os salários dos funcionários públicos” ou que “não aceitarei nenhuma medida orçamental que venha quebrar o crescimento”.


O claro alinhamento com o poder, por parte de muita imprensa nacional, não é alheio à detenção das empresas de comunicação social por parte de grandes interesses económicos. A independência jornalística é cada vez mais rara…


quinta-feira, janeiro 29, 2015

MEMÓRIA DESTA CRISE ECONÓMICA



Se bem se recordam a Islândia terá sido o primeiro país a entrar em crise financeira, com bancos na falência e os credores a exigirem o pagamento integral da dívida a juros da ordem dos 5,5% ao ano.

Os islandeses recusaram-se a pagar de imediato as dívidas aos credores, causadas por políticos incompetentes e banqueiros gananciosos e irresponsáveis. Uns e outros foram julgados ou debandaram para outras latitudes, em resultado da vontade popular manifestada num plebiscito com um resultado de 93% de votantes contra o pagamento da dívida, contra o socorro aos bancos e a favor da sua nacionalização.

Hoje a Islândia está recuperada, com uma taxa de desemprego a rondar os 5%, com 97% da população com rendimentos de classe média, e é um dos países com melhores índices de felicidade, agradecidos por não terem ingressado na comunidade europeia.

O que dizer dos países que por pertencerem à comunidade europeia aceitaram as condições dos planos de resgate da troika, aplicaram as medidas de austeridade brutais que diziam ser a cura para os seus problemas económicos?

Tanto quanto se sabe aumentaram enormemente o desemprego, aumentaram a dívida pública e privada e diminuíram drasticamente o PIB per capita durante os programas de resgate.

Será que os islandeses estavam errados quando tomaram as suas decisões? Será que os gregos estão agora errados? Será que os portugueses concordam com a obediência cega a uma Alemanha que nos retirou toda a esperança num futuro melhor?