Orçamento 2009/I – Os aumentos propostos pelo governo para a função pública, de mais 2,9%, suscitaram desde já dois comentários que em breve estarão no centro de algumas discussões. O primeiro prende-se com o aumento propriamente dito, com os funcionários a perguntarem onde se encaixa o desconto para o fundo de desemprego de que agora não se fala. O segundo vai para a reacção do patronato, que não abriu a boca desde 2000, altura em que os aumentos na função pública começaram a ser sistematicamente inferiores à inflação. Talvez seja útil fazerem bem as contas, porque nas minhas o aumento líquido fica abaixo do valor da inflação.
Orçamento 2009/II – A pedido de alguns amigos ligados ao Património, dei uma rápida vista de olhos ao Orçamento destinado à Cultura e, sem surpresa, vi que foi o que levou o maior corte por parte do executivo. A Cultura parece não ser prioritária para este governo, que manifestamente se esqueceu das suas promessas eleitorais, mas também há um ministro que foi nomeado, tudo o indica, para “enterrar” definitivamente o sector. Não há quadros de pessoal, logo não há admissão de novos vigilantes para os museus e portanto a vergonha dos encerramentos continua. Claro que existem os contratos tarefa, nome que pretende ocultar os falsos recibos verdes, mas atenção, porque os recibos verdes agora têm consequências que podem implicar o afastamento dos responsáveis pelos serviços, e para isso basta que se comprove que desempenham funções subordinadas e estejam a satisfazer necessidades dos serviços.

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