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quinta-feira, abril 04, 2019

CULTURA DE MÉRITO


Portugal é um país onde se pode esperar de tudo, e apesar de haver muita gente a encher a boca com a palavra mérito, o que menos se valoriza é mesmo o mérito.

Quando se fala nas nomeações governamentais, vemos uma teia de nomeações familiares. O mesmo se passa em outras entidades públicas e municipais, como tem sido público nos últimos dias.

Há quem pense que isto só se passa no sector público, mas não, é muito comum também em empresas privadas, não só as pequenas mas também nas de grande dimensão.

Podem-se mencionar casos tornados públicos nestes dias, no Governo, na GNR, em empresas familiares do ramo da distribuição, etc., isto apenas pelas escolhas de familiares.

Como o não reconhecimento do mérito não se resume às escolhas de familiares, temos que chamar também a atenção para outras situações, como por exemplo na banca e actividades congéneres, onde são conhecidos indivíduos envolvidos em casos que lesaram instituições e cujos erros e omissões estão a ser pagos por todos nós, que continuam por aí, muitos em cargos no mesmo sector, impunemente, apesar das faltas de memória declaradas, quando inquiridos sobre os tais casos cabeludos.

Mérito em Portugal é apenas um conceito para convencer os mais crédulos, porque este quase nunca é reconhecido, infelizmente.  



quarta-feira, agosto 01, 2012

FORMIDÁVEIS GESTORES


Existem em Portugal uns senhores que estão à frente dos destinos de empresas, que sem investirem um tostão dos seus bolsos, ganham verdadeiras fortunas pelos seus cargos de gestão. É uma tarefa que alguém tem que desempenhar, contudo os seus proventos em nada condizem com os salários dos trabalhadores das ditas empresas.

Num relatório da CMVM descobriu-se que há um gestor que acumulou 73 cargos diferentes e que 17 administradores de cotadas na bolsa acumulam lugares de administração em 30 ou mais empresas. Estes “turbo-gestores” devem ser uns seres fenomenais, do tipo daquele que tira uma licenciatura em apenas um ano.

Estas sumidades verdadeiramente excepcionais, têm nas suas mãos o destino de milhares de trabalhadores que eles nem conhecem, a menos que sejam os familiares e amigos a quem arranjam um “lugarzinho” confortável e bem remunerado.


quinta-feira, janeiro 26, 2012

CURTINHAS

Contrastes – Enquanto as viaturas ligeiras de passageiros do segmentos mais económicos baixaram mais de 30%, as vendas dos veículos da gama média-alta não se ressentiram. Curiosamente, ou talvez não, perto de 60% foram pagos em cash, o que me deixa a pulga atrás da orelha sobre o que é que as Finanças andam a fazer.

Justiça para todos – Foi interessante saber-se que a ministra da Justiça admite que há uma justiça para ricos e outra justiça para pobres. É uma realidade para qualquer ceguinho, mas é sempre bom saber-se que um ministro da Justiça se apercebeu que já é uma por demais escandalosa a impunidade de quem tem dinheiro. Não baixando as custas processuais, como é que a senhora ministra vai inverter esta realidade? Será que nos casos de enriquecimento injustificado admite inverter o ónus da prova, como já acontece até nos EUA?


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Humor e Impostos
Até no Inferno
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Foto Amarelada

quarta-feira, agosto 12, 2009

DESPERDÍCIO NÃO É FADO

Enquanto se prepara a candidatura do fado à UNESCO, como Património Cultural Imaterial, somos também informados de derrapagens financeiras em auto-estradas, algumas ainda nem começadas.

Se para muitos o fado significa tristeza e desilusão, ainda que com a esperança num horizonte que se deseja e anseia, para outros é apenas um destino ou uma fatalidade a que estamos ligados e a que não podemos fugir.

Não me pretendo prender à música nem à lírica deste estilo musical muito português, nem tenho qualquer conhecimento sobre a matéria, mas apenas me apetece abordar a simbologia e o absurdo que é a política à portuguesa.

Tenho a certeza de que a UNESCO reconheceria, pelo menos a nível europeu, que o fado das derrapagens financeiras nas obras públicas em Portugal são uma singularidade no âmbito dos países ditos desenvolvidos e democráticos.

Imaginem meus caros que nós conseguimos ver aumentos de custos de obras ainda não em execução, de mais de 50% sobre o preço acordado em concurso, numa altura em que o preço da mão-de-obra baixou, os custos de materiais baixou e o crédito ao investimento está mais baixo. O Governo, que talvez venha a acarinhar este fado, diz mesmo que estamos com inflação negativa, mas mesmo perante esta derrapagem afirma que os custos estão em linha com o previsto.

Eu julgava que as empresas se apresentavam a concurso com propostas sérias e realistas e que eram responsáveis pelos riscos que aceitavam correr, mas afinal em Portugal os privados não gostam de correr riscos, e esses ficam para o Estado, que logo a seguir é acusado de gastar mal os dinheiros públicos, e de ter “gorduras” que importa cortar de imediato.

Digam-me quais serão as gorduras onde se gastam sem vergonha verbas imensas, e eu dir-vos-ei qual é o “fado” a que estamos condenados, e não será nada musical a minha conclusão!



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Foto Imaginativa
Honesty by Валерий Бараш

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Humor na Cabeceira...
Bill Stott