segunda-feira, abril 11, 2016

TEMOS NOVO MINISTRO DA CULTURA



Depois de mais um episódio lamentável, lá veio o pedido de demissão de João Soares, que era inevitável e exigido por muitas pessoas, ficando o cargo de ministro da Cultura vago. António Costa não terá perdido tempo e surgiu com um nome inesperado, que terá surpreendido quase todos.

Não conheço o embaixador e poeta que dá pelo nome de Luís Filipe Castro Mendes, nem isso é importante neste momento, porque a Cultura não precisa de protagonismos, mas sim de quem queira trabalhar.

Ficamos a aguardar pelos objectivos do novo ministro, pelas medidas que venha a anunciar para o curto prazo e para as metas que venha a enunciar para o futuro a médio e longo prazo. É cedo para me pronunciar, mas sei bem o que espero para a área do Património, que é o que conheço melhor.


Tarde de Primavera by Palaciano*

sábado, abril 09, 2016

E AGORA QUE POLÍTICA CULTURAL?



João Soares foi um evidente erro de casting deste governo, porque não era obviamente uma primeira escolha, não tinha o perfil necessário para ministro, e por último, não conhecia convenientemente o sector.
Todos sabíamos, e António Costa também, que JS é um personagem truculento, não tinha nem anunciou qualquer plano estruturado para a Cultura, e mostrou desconhecer o sector, principalmente a área do Património.

O episódio das “salutares bofetadas” escancarou perante todos a falta de perfil para governante, e foi apenas mais um episódio do modo como pretendia resolver divergências. O caso anterior, o da demissão de António Lamas do CCB, já tinha sido elucidativo pelo modo rude como a divergência de opiniões foi tratada.

O mais grave de tudo foram os estragos já causados, pois o abandono do Plano Belém-Ajuda, acabou com a possibilidade de se implementar um plano que já tinha sido bem sucedido em Sintra, e não foi apresentada nenhuma alternativa para dinamizar a zona. Em consequência desse caso até o que se tinha criado em Sintra com a Parques de Sintra foi colocado em causa, e não se augura nada de bom para o futuro dessa empresa, com as mudanças no seu funcionamento, impostas pela tutela maioritária.

Um novo ministro podia ser uma lufada de ar fresco, mas era útil que tivesse um plano para a Cultura, em particular para o Património, pois é daí que saem boa parte das verbas que sustentam a conservação do mesmo Património, que é também uma área responsável por atrair muito turismo, que é hoje uma das âncoras da nossa economia. Ajudava também que fosse uma pessoa ponderada e de diálogo, como convém para uma pasta como a da Cultura...



quinta-feira, abril 07, 2016

BOCAGE



O Leão e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leão,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,
Soltavam contra ele injúria sobre injúria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
Não há poder algum que mude a natureza:
Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.


Bocage


Solidão by Palaciano*

terça-feira, abril 05, 2016

OS ESCÂNDALOS E O DINHEIRO

Sempre ouvi dizer que o dinheiro corrompe, mas há muito que as sociedades se baseiam no consumo e no enriquecimento, deixando de situar no centro das atenções as pessoas, que no fundo são e serão sempre o mais importante.

Os mercados, o PIB, o FMI, o BCE e muitas outras siglas e entidades têm estado ao serviço dos mais fortes, dos mais poderosos, e têm fechado os olhos à proveniência do dinheiro, muitas vezes resultante do tráfico de droga, do tráfico de armas, do tráfico de pessoas, da corrupção da fuga aos impostos e de muitas outras tramoias, que resultam na pobreza e na exclusão de milhões de pessoas.


O caso dos Panama Papers onde estão envolvidos muitos governantes por esse mundo fora, e muitas pessoas importantes de diversas áreas, pode ser uma boa ocasião para se acabar com os offshores, que têm sido a lavandaria mais perfeita que tem servido para muitas tropelias dos últimos anos. Irão surgir outras formas mais ou menos sofisticadas para ocultar dinheiros sujos, mas começar por acabar com os offshores já seria um bom começo. 


domingo, abril 03, 2016

O FMI



O FMI veio agora ameaçar Portugal dizendo poder vir a rever em baixa o crescimento potencial de Portugal porque estamos a reverter as políticas provisórias adoptadas pelo governo de Passos Coelho, em particular as medidas de flexibilização do mercado de trabalho.

É simplesmente elucidativo que não diga uma única palavra sobre o estado da banca nacional, que tem contribuído para o défice, mais do que qualquer outro sector da economia. Aliás os casos do Banif e do BES passam ao largo das análises do BCE, da União Europeia e do FMI, onde todos falharam as previsões e onde todos têm responsabilidades.



sexta-feira, abril 01, 2016

QUE GRANDE CONFUSÃO



O caso da condenação dos activistas angolanos não reuniu apoios suficientes na Assembleia da República, para se conseguir uma condenação por parte dos nossos deputados.

Foi curioso verificar que os dois votos apresentados, um pelo PS e outro pelo BE, foram chumbados pela direita (PSD e CDS), mas também pelo PCP, numa convergência de opiniões algo estranha.

Para que se perceba a minha relativa estranheza devo dizer que já ouvi o PCP criticar a ingerência da Alemanha e da União Europeia, por exemplo, na nossa economia, mas também já os ouvi condenar os Estados Unidos por causa de Guantanamo. Quanto à direita não tive qualquer surpresa, até porque as referências à Venezuela, à Coreia do Sul, ou a Cuba, pouco elogiosas claro, não serão ingerências, pois claro.

A política é lixada, e somos muitos os que ficamos confundidos com o que os políticos defendem, porque até já ouvi um dizer que o conceito de Democracia na Europa é um e em África pode ser outro…