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quinta-feira, abril 07, 2016

BOCAGE



O Leão e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leão,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,
Soltavam contra ele injúria sobre injúria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
Não há poder algum que mude a natureza:
Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.


Bocage


Solidão by Palaciano*

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

NASCEMOS PARA AMAR

Nascemos para amar; a Humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atractivo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Bocage, in 'Sonetos'

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Foto - Sinfonia colorida

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Humor - Amor Paciente

sábado, maio 30, 2009

INÊS DE CASTRO

A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro
 
Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;
 
Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:
 
Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:
 
Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa
A malfadada Inês na sepultura.
 
                          Bocage



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Foto - Cabecinha Pensadora
мысли...

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Humor Cáustico
A tremideira da justiça

Qual era o chiqueiro de que falavas?

sábado, setembro 15, 2007

SONETOS DE BOCAGE


Voa a Lília gentil meu pensamento

Nas asas de esperanças sequiosas;

Amor, à frente de ilusões ditosas,

O chama e lhe acelera o movimento.
*

Ígneo desejo audaz, que em mim sustento,

Mancha o puro candor das mãos mimosas,

Os olhos cor dos céus, a tez de rosas,

E o mais, onde a ventura é um momento.
*

Eis que pesada voz, terrível grito

Soa em minha alma, o coração me oprime,

E austero me recorda a lei e o rito.
*

Devo abafar-te, amor, paixão sublime?

Ah! Se amar como eu amo é um delito

Lília formosa aformoseia o crime.

*************

O ledo passarinho, que gorjeia

D'alma exprimindo a cândida ternura,

O rio transparente, que murmura,

E por entre pedrinhas serpenteia:
*

O Sol, que o céu diáfano passeia,

A Lua, que lhe deve a formosura,

O sorriso da aurora alegre e pura,

A rosa, que entre os zéfiros ondeia;
*

A serena, amorosa Primavera,

O doce autor das glorias que consigo,

A deusa das paixões, e de Cítera:
*

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,

Tudo em tua presença degenera,

Nada se pode comparar contigo.


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Contraste de Imagens

Soulcalibur - Ivy by Petite-Madame

Cathedral Interior SemiColored by deeamn

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Humor antes do Ramadão

Hic

Dilem