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domingo, novembro 11, 2007

REALISMO EM ECONOMÊS

Quando se fala em aumentos salariais, logo aparecem os conhecidos gestores e economistas da nossa praça, a brandir os habituais argumentos como o realismo, as dificuldades económicas do País decorrentes do défice externo, e os custos laborais.
Na discussão política, este tipo de argumentação talvez seja habitual na arena política, mas na boca de gestores e economistas, e dirigidas ao público em geral não colhe.
Podemos começar por algo que não costumo mencionar, por algum pudor, mas que é uma realidade insofismável, que são precisamente os proventos desses senhores e os proventos da maioria dos trabalhadores portugueses. Não são comparáveis, e já os estou a ouvir (gestores e economistas), a gritarem as suas imensas responsabilidades e a suas competências, justificando assim os altos salários que recebem. Era precisamente aí que eu queria chegar, às responsabilidades desses senhores, pelo estado da nossa economia. Assumam-nas, e não atirem o ónus dos seus erros para quem não tem as mesmas responsabilidades, nem os altos salários, limitando-se a produzir com as regras e condições por vós impostas.
A má distribuição dos rendimentos em Portugal, é um verdadeiro escândalo, para que nos venham pregar precisamente com o argumento do realismo, de cada vez que se fala em aumentos salariais. Se alguém gasta mais do que produz, não são certamente a maioria dos trabalhadores por conta de outrem, que usufruem salários muito abaixo da média dos restantes países que adoptaram o euro ao mesmo tempo que Portugal. Falo evidentemente de tarefas idênticas e não de médias estatísticas que distorcem a realidade e que economistas e gestores gostam de lançar para cima da mesa, porque há determinadas elites em Portugal cujos salários se batem de igual para igual, quando não superam mesmo, os salários das mesmas actividades por essa Europa fora.
A força dos números obriga-nos a comparar o que é comparável, e não médias estatísticas, especialmente num país que é um dos piores exemplos europeus no que concerne à distribuição da riqueza.
É preciso não ter vergonha nenhuma para jogar com dados que são viciados logo à partida.

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sábado, outubro 27, 2007

O THE ECONOMIST E O TRATADO

Há por estas bandas quem acene com os artigos do The Economist, quando quer dar alguma credibilidade aos seus artigos sobre economia ou desenvolvimento, mas que nunca o utilizará quando as opiniões não são favoráveis à sua propaganda ou ao que dentro de portas nos querem impingir.
Aqui fica para conhecimento público, o que pensa este semanário do Tratado Reformador ou de Lisboa, e das intenções de muitos governantes europeus de fazerem a sua ratificação por via parlamentar.
Apetece-me deixar aqui algumas frases deste jornal, como “… independentemente do que cada um possa pensar sobre o texto «trata-se de uma farsa, que tem para além disso consequências que rebaixam a Europa», ou «em vez de simplificar a arquitectura legal da UE, devolver alguns poderes aos Estados membros e fazer a política mais inteligível para os votantes, fez-se exactamente o contrário», ao que acrescenta «… os líderes europeus regressaram à sua anterior estratégia, consistente embutindo uma vasta quantidade de inovações e emendas num texto legal ilegível.», e recorda que quase uma dezena de governos europeus prometeu submeter a constituição a referendo e acusa-os de falta de honestidade quando dizem que este tratado é tão diferente que não encontram razões para manter aquelas promessas.
Remata o The Economist com esta frase «para uma instituição em que a legitimidade e a responsabilidade são bens escassos, trata-se da pior desculpa possível», porque este tratado «… trata-se basicamente da mesma constituição…».
Recordo que o realce do texto é “surrealista pretender que tratado não é constituição”.

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