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terça-feira, setembro 07, 2021

7 DE SETEMBRO DE 1974

Está a cumprir-se mais um aniversário da traição feita pelo Governo de Portugal da altura, relativamente ao povo de Moçambique, entregando o território à Frelimo como única e legítima representante do povo.

A Democracia foi então metida na gaveta, as eleições livres esquecidas, e os princípios que tinham enformado o próprio 25 de Abril acabaram votados ao esquecimento.

O resultado foi uma matança que foi convenientemente abafada, e depois seguir-se-ia o abandono dos cidadãos portugueses, de todas as cores, que tinham defendido a nossa bandeira, deixados à sua sorte sendo obrigados a ficar num país de partido único e sem segurança, ou então a procurarem fugir pelos seus próprios meios para os países vizinhos ou para o Continente.

Sei que este texto não será popular, mas foi a realidade.

Numa altura que se teme pelas vidas dos deixados para trás no Afeganistão não podia deixar no esquecimento o que se passou em Moçambique a partir desta data.

Leia ISTO , e ISTO

 


terça-feira, março 09, 2021

GUNGUNHANA

Entre as várias leituras resultantes do confinamento, e por causa da "verdadeira fome de livros" que me assolou no ano passado, passou "A espada e a azagaia" do Mia Couto, que me fez ir remexer nos meus preciosos arquivos, e ler mais um pouco sobre o Gungunhana e o enquadramento da vida daquele chefe tribal, com o caso do mapa cor-de-rosa e as relações entre Portugal e a Inglaterra no século XIX. 

Ele lá está, jogando em dois tabuleiros aproveitando a situação que opunha Portugal e Inglaterra. 

Outro facto que também se tornou mais claro do que anteriormente foi a clara desvantagem, ou a fraqueza se preferirmos, do nosso país perante a pungente e poderosa Inglaterra, e o facto de ter sido apenas jogando com a diplomacia que as perdas territoriais não foram maiores, naquela altura.

Deixo-vos um excerto dum texto interessante que apareceu na minha busca de informação.  

"Ao mesmo tempo que se dá a invasão de Manica (1891), dois oficiais da BSAC (Companhia Britânica da África do Sul) são enviados ao Kraal do rei de Gaza. O objectivo era conseguir que este desse a Mutassa o direito de realizar tratados com a Chartered. Se possível, deveriam tentar que Gungunhana desse preferência à protecção inglesa e não portuguesa, ou então que se conseguisse, entre ambas as partes, o reconhecimento da independência do seu poder. (Geographical Section of the Naval Intelligence Division, 1920) Ansioso por obter o melhor proveito da situação vivida entre a BSAC e Portugal, Gungunhana agiu sub-repticiamente, chegando a afirmar que aceitava a protecção inglesa, enviando a Londres dois emissários e mostrando-se disposto a cedera cidade da Beira, que dizia fazer parte dos seus domínios. A imprensa inglesa em Londres deu grande importância ao assunto e foi esta uma das razões das dificuldades de Portugal, em assegurar a Salisbury que o régulo era seu vassalo. Como oferta ao régulo, seguia ainda um carregamento de 1000 espingardas e uma grande quantidade de munições. Estas chegaram por mar e foram então levadas rio acima, para o território dos vátuas. Porém, o navio em que seguiam –o Countess of Carnarvon -foi capturado pelos portugueses, no seu regresso pelo Limpopo."

In A Pacificação de Moçambique no Final do Século XIX, à Luz da Velha Aliança.

Autor: Aspirante Tirocinante de Cavalaria Miguel Pelágio Santos de Almeida

Orientador: Tenente-Coronel de Infantaria António José Marracho

Lisboa, 23de Setembro de 2009

Luís C.

 

Gungunhana e suas esposas

 

domingo, setembro 20, 2020

CIPAIOS

Outro dia, um dos membros (Beira no coração) comentou “Cipaio” na foto do “sinaleiro”...., o que avivou a minha memória de mais uma palavra linda por mim usada , enquanto adolescente na Beira. Embora não seja nenhuma novidade para a maioria dos membros, talvez exista alguém que possa beneficiar da informação que existe disponível sobre o Cipaio, salientando a sua evolução na História.

O “Cipai”, “Sipai”, “Sipaio”, “Cipaio” tem origem na língua persa “sepahi, sepoy ou sipahi” significando cavaleiro turco e, também soldado hindu no exército inglês na Índia, sob as ordens de oficiais britânicos.

Abreviando.... em Moçambique, estes “cipaios” eram vátuas e eram considerados guerreiros destemidos, pois serviam Gungunhana contra o exército português e, que após a rendição do grande chefe negro, os mesmos guerreiros prestaram voto de lealdade ao Rei de Portugal, formando assim unidades de infantaria, com funções de policiamento. Daqui, o significado e o uso de “soldado de infantaria”.

Eles fizeram parte do exército da África Oriental portuguesa, lutando do mesmo lado das unidades que foram enviadas para Moçambique para combater os alemães na primeira guerra mundial, no norte do território e no Tanganica, que era colónia alemã.

Portugal manteve forças de “cipaios” no seu Estado Português da Índia e, qualquer militar português com gabarito (naquela época), passou  pela Índia. Moçambique tinha muitas ligações com a Índia.

Mais tarde, Moçambique foi o território ultramarino que tinha o maior contingente de cipaios. Nos anos vindouros esta palavra passou a ser usada, mas como sinónimo de uma força militar, sob a administração portuguesa e, direccionada para o policiamento local e rural, sendo comandada por um oficial europeu.

Esses cipaios landins, pelo que constatei teria sido por volta de 1930/1940, e que a pouco e pouco começaram por participar nas campanhas de ocupação. Começaram por dissociar-se das suas comunidades, a assimilar os valores, os ideais, os gestos e a língua do branco “civilizado” e, sucessivamente ascenderam aos cargos da administração colonial portuguesa, tendo chegado a guardas dos quadros mais importantes, como por exemplo, dos governadores de distrito e do governador geral de Moçambique.

Serviram de elo entre brancos e indígenas e, ao contrário do que se julga, eram eles que aplicavam os mais duros castigos aos desobedientes.

Com a evolução dos tempos, a figura de “cipaio”, que eu me lembro de ver na Beira, já era ligeiramente diferente dos das 3 fotos anexas.

 

Texto de Ana Anasha