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quarta-feira, janeiro 27, 2021

A CONFUSÃO É MUITA

Em tempos difíceis como este, em que enfrentamos uma pandemia, quem governa tem que saber dar sinais claros aos cidadãos, saber passar a mensagem sendo assertivo, e acima de tudo dando o exemplo.

O Governo tem falhado imenso nos últimos tempos e isso foi óbvio em muitos momentos e causado ruído que se dispensava.

O caso do afrouxamento das medidas no Natal foi mal interpretado pelos cidadãos, quer por cansaço, quer por saudades, ou mesmo por inconsciência, e o resultado foi o que se viu. Depois veio o fecho do comércio e serviços não essenciais, e quando quase todos esperavam o fecho das escolas, lá veio o Governo achar que não era necessário. Os números subiram enormemente e Costa embrulhou-se naquela da estirpe britânica e depois fechou todas as escolas e jardins-de-infância (mais do que tinha sido pedido), e até proibiu o ensino à distância, o que ninguém compreendeu.

Com a situação completamente fora de controlo, os hospitais esticaram tudo ao máximo, com o prejuízo de outras patologias, e os sinais de ruptura aumentaram, até que surgiu o caso do problema de fornecimento de oxigénio no Hospital Amadora Sintra, que o ministério tentou minimizar, apesar da evidente gravidade.

Falou-se no pedido de ajuda aos parceiros da UE e logo veio a afirmação de que não era necessário, porque ainda havia alguma margem de manobra. Felizmente alguém decidiu fazer o pedido (à cautela, e bem), mas mesmo assim tiveram que acrescentar que o pedido ainda não tinha sido formalizado.

No campo da vacinação foi elaborado um plano de vacinação dividido em três grupos, validado pelo Governo, mas com os números a disparar lá se veio a dizer que os altos responsáveis deviam ser vacinados de imediato, embora tanto Costa como Marcelo tenham dito há pouco tempo que esperavam pela sua vez, mas tudo mudou repentinamente e até há listas de prioridade dos políticos (e são muitos, chegando aos autarcas) para serem vacinados na 1ª fase.

Falou-se sobre o uso das máscaras comunitárias que já foram proibidas em várias situações noutros países, e lá veio a resposta de que Portugal estava à espera de instruções das autoridades de saúde europeias, mas os governantes começaram logo a aparecer com as bico-de-pato, em vez das habituais máscaras comunitárias.

Estes são apenas alguns exemplos dos sinais confusos que o Governo está a dar aos cidadãos, e isso é prejudicial numa situação de emergência como a que vivemos. As críticas não deviam ser chamadas de criminosas, deviam isso sim, ser consideradas sérias e construtivas, goste-se ou não de algumas delas.


 

terça-feira, dezembro 17, 2019

QUEM PAGA O EXCEDENTE?


O ministro Centeno, o tal que diz ter elaborado um OE histórico, diz várias coisas que ou são evidências, ou então não são verdades absolutas.

Quando anunciou aumentos de 0,3% para os funcionários públicos, veio também dizer que n a verdade eles são maiores por causa da actualização dos escalões e das subidas na carreira. Claro que o senhor ministro sabe que está a omitir que progressões na carreira são uma mentira, e que o descongelamento dos escalões é algo que pecou por anos de atraso. Outra omissão de peso é que os funcionários públicos ganham menos hoje do que em 2010, se for considerada apenas a inflação, mesmo desprezando qualquer ganho de produtividade.

O aumento salarial de 0,3 % ao fim de 10 anos de congelamento, é um verdadeiro insulto a quem trabalha na Função Pública, e certamente não motiva ninguém.

Outra verdade que não é dita, e até é em grande parte desvirtuada, é sobre quem paga o excedente, que segundo Centeno são os contribuintes, mas que em grande medida são os contribuintes que trabalham para o Estado, que perdem poder de compra há mais de uma dezena de anos, ajudando o país a sair da crise, e os bancos e PPP’s que têm sido o maior sorvedouro de dinheiros públicos.



quarta-feira, maio 23, 2018

CORRIGIR AS DECLARAÇÕES DE CENTENO

O ministro Centeno tenta disfarçar a verdade equiparando os descongelamentos dos escalões na função pública, a aumentos salariais, o que evidentemente não é verdade.

Os descongelamentos decorrem da reposição dum direito, mesmo assim com atraso e aos bochechos (em 4 fases distribuídas por dois anos), e não de qualquer aumento salarial.

Na realidade nem todos os funcionários públicos foram abrangidos por este descongelamento, sendo que ainda há quem, mesmo podendo ter direito a ser abrangidos pelo descongelamento, ainda não viram o seu caso resolvido, porque os serviços dizem existir dúvidas sobre esses casos.

Quando Centeno fala do ano de 2019, baseado nos descongelamentos, está a falar dos mesmos que subiram de escalão em 2018, que vão receber as duas tranches em falta desse direito, porque em 2019 não haverão novas subidas de escalão, uma vez que as avaliações são dadas de dois em dois anos, o que quer dizer que só existirão novas subidas em 2020.


É muito feio, alguém contornar a verdade, mais ainda no desempenho dum cargo governamental, iludindo assim a opinião pública sem acesso a toda a informação.