sexta-feira, março 02, 2012

O POVO E O PODER

Em Democracia todos partimos do princípio que os eleitos são gente de palavra e que portanto vão, durante o seu mandato, respeitar os seus compromissos para com os eleitores.

Infelizmente a política já deixou de ser aquela actividade nobre a que se candidatavam os homens bons, dispostos a honrar a sua palavra e a entregar-se de corpo e alma ao serviço público.

Hoje a política transformou-se na arte do embuste, e os seus protagonistas estão mais preocupados com interesses próprios e com outros interesses particulares, de indivíduos ou de grupos para onde depois vão trabalhar com ordenados chorudos.

Os povos começam a escrutinar cada vez mais de perto os seus políticos e cada vez mais reagem perante os desmandos dos governantes, mesmo os legitimados pelo voto. Não assistimos apenas à Primavera árabe, ou aos tumultos da Grécia, mas também às manifestações um pouco por todo o mundo ocidental.

O poder começa a ser contestado sempre que os resultados desagradam aos cidadãos, ou sempre que estes se esquecem de governar para o bem dos seus cidadãos. Os políticos começam a ser confrontados com os seus compromissos por cumprir, e começam também a ser responsabilizados pelos seus actos, como aconteceu recentemente na Islândia.

Aos políticos já não basta dizerem-se legitimados pelo voto, agora têm também que o provar pelos seus actos e pelo cumprimento da sua palavra. A impunidade dos políticos irá acabar conforme a consciência cívica dos cidadãos vá crescendo. Habituem-se porque isto é contagioso e o descontentamento stá em crescendo.


6 comentários:

Pedra do Sertão disse...

olá, Guardião,

Bem lúcidos seu texto e seu posicionamento. Há muitos desmandos e muito silêncio diante deles também!

Abraço

Araceli

www.pedradosertao.blogspot.com

Anónimo disse...

Há que cascar nos aldrabões!
Lol

AnarKa

Metalurgia das letras disse...

Punir corretamente os políticos seria uma solução,outra seria não deixá-los defender somente o interesses das classes sociais a quais pertecem, isso seria quase impossivel visto que o poder vem das propinas que eles recebem para defederem tais classes. O "Polvo" tem muitos braços (tentáculos) mas somente alguns são fortes?

Pata Negra disse...

E, no entanto, preparamo-nos para dar mais um golpe na nossa democracia com a extinção de freguesias e com a nova lei eleitoral: tudo está a ser engenhado para nos reduzirmos a dois partidos iguais e para dar cabo do poder local! E nós por aqui andamos, achando normal, e até chique, que uma grande parte dos portugueses se abstenha de votar!
Não são só eles que dão cabo da democracia, somos tb nós!
Um abraço de voto em riste

zeparafuso disse...

Como sempre texto bem escrito e oportuno. Democracia é a arte de enganar melhor ou quem mente melhor. O ser um dever civico, dar o seu contributo para melhorar a vivência das pessoas, o governar sem interesse, sem tirar dividendos, é coisa do passado é coisa que estas gerações de "politicos" não sabem, nem nunca saberão o que é.
Cumprimentos

José Gonçalves Cravinho disse...

Mas afinal a Política sempre foi assim desde tempos imemoriais.
Os Condutores dos Povos,os Régulos
os Reis,os Imperadores,os Czares,
os Califas,os Emires,os Sultões,
todos êles se serviram dum Deus criado à imagem e semelhança do Homem e da respectiva Religião,
para em nome dêsse Deus submsterem os Povos.E ainda hoje é assim.
Na Democracia,o Demo não governa,
êle é afinal governado pelos detentores do Poder económico ou seja do Dinheiro e o dinheiro compra a honra e as consciências.