quarta-feira, novembro 26, 2008

MÉRITO?

Quando me reformei, procurei esquecer algumas afrontas que me fizeram enquanto estava no activo, muitas delas decorrentes da avaliação que alguns dos meus superiores faziam do meu trabalho. Sempre considerei que haviam pessoas que não tinham capacidade nem conhecimentos para avaliar o trabalho de outrem, ou porque não estavam minimamente capacitados para o fazer ou porque apesar de à partida terem essas capacidades, nunca executaram tarefas nas áreas para que obtiveram formação.

Nunca terei sido um sobre dotado, mas sempre fui muito profissional nos lugares que ocupei, e podem crer que foram muitos. Depois da minha saída fui por diversas vezes contactado, por pessoas que me avaliaram no passado, no sentido de efectuar trabalhos para organismos onde trabalhei, o que sempre recusei por motivos muito pessoais e de que me orgulho.

Trabalho hoje por conta própria, sou reconhecido dentro do meio, e vejo com alguma tristeza que os mesmos que se arrogavam de autoridade para me classificar sem para isso terem um mínimo de competências, continuam em lugares de alta chefia e de confiança política, desperdiçando dinheiros do erário público, recorrendo a serviços externos para efectuarem trabalhos que durante décadas foram feitos internamente, a custos muito mais baixos.

Quando me perguntam se concordo com avaliações e se não acho que o mérito deve ser reconhecido e compensado, respondo invariavelmente com a questão: “com a classe dirigente que temos?”.



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Fotografias
Chrysanthemum by *ameliasantos

Memories Of Fall 2008 21 by *PridesCrossing

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Humor de Mordillo


11 comentários:

Pata Negra disse...

Só os sistemas de avaliação por objectivos nos poderão salvar - é esta a palavra de ordem do dia. Creio que foi com sistemas bastantes parecidos que os sistemas comunistas colapsaram (está mal escrito? ou a palavra não existe?), que os bancos estão a falir, etc, etc. Isto é o que faz pensar-se que avaliar tem de passar forçosamente pelo preenchimento de fichas e de gráficos!
Um abraço sem medo mas com mais que fazer

C Valente disse...

Infelizmente neste país o merito não conta, o valor é para o compadrio politico e não só
Anda esta gente a brincar com o dinheiro de todos nós, até quando?Saudações amigas

Maria disse...

Eu assino por baixo o teu texto Guardião!!

:-(


ps-Os contentores estão guardados p outro desenho ;-)

Abraço

Ferreira-Pinto disse...

O mito de que tudo é mensurável, de que só com a quantificação se alcança a excelência ainda vai causar muita mossa!

Especialmente quando se decreta que, ainda por cima, têm de existir quotas.
E com os dirigentes que temos!

Ludo Rex disse...

Este é um país do faz de conta...
Abraços

Tiago R Cardoso disse...

Avaliação sim mas feita com critério e de forma séria.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido Guardião, assino por baixo o teu magnífico texto... Parabéns por seres bem claro e não deixares dúvidas Amigo... Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

Anónimo disse...

Mordillo? Adoro estes bonecos...
Bjos da Sílvia

Carol disse...

Como eu gosto de Mordill!

Avaliação? Sim! Mudem-se os critérios, as formas.

Sophiamar disse...

Como te compreendo, Guardião! Avaliar? Sim! Mas que o avaliador não esteja comprometido com a política, com competência pedagógica e científica para o fazer e que não esteja envolvido no mesmo processo do avaliado para progredir na carreira.

Um abraço

elvira carvalho disse...

Já ocupei um cargo, em que tinha que avaliar as pessoas que comigo trabalhavam. Não para promoções, ou subidas de categoria, já que se não dessem rendimento, eram despedidas. Durante 11 anos que estive no cargo nunca ninguém foi despedido, e tinhamos um excelente grupo de trabalho.
Primeiro, nunca seria capaz de avaliar o trabalho de alguém, se eu não fosse capaz de fazê-lo na perfeição. Segundo, uma pessoa que pode não ser muito boa a fazer uma peça, pode ser excelente a embalá-la. Há sempre uma coisa em que a pessoa é capaz de ser melhor e dar mais rendimento.
Claro que eu não estou a falar de professores. Que é um caso expecial,em que se tem que saber, tem que se ter muita paciência, e muito amor pelo que se faz. Mas além disso, os professores, ainda teem que colmatar certas falhas de educação e afectividade, que os alunos teem em casa.
Refiro-me a trabalhos em empresas, em bancos, etc, em que o sobrinho do Sr. Fulano de tal, vai ocupar um lugar de chefia, só por esse facto, e depois é o deixa andar, que o salário chorudo está garantido, todos os meses. E dá no que dá.
Um abraço