quinta-feira, maio 09, 2013

A HARMONIZAÇÃO E O DISPARATE



Se há quem defenda a harmonização e a igualdade, quando se fala dos trabalhadores dos sectores público e privado, tem sido o governo, que nunca conseguiu descortinar as diferenças que são evidentes nos outros países parceiros da União Europeia. Digo isto referindo-me apenas ao discurso e ao aproveitamento das pequenas invejas que o executivo tem sabido fomentar desde que chegou ao poder.

É neste quadro que saliento o que disse o secretário de Estado da Administração Pública, a propósito do direito que os funcionários públicos teriam ao subsídio de desemprego. Segundo Hélder Rosalino os funcionários públicos não têm direito a esse subsídio.

Este membro do governo, alega que “os trabalhadores ao entrarem no sistema de requalificação têm uma de duas opções” ao final de 18 meses. “passar para uma licença sem vencimento tendo prioridade no recrutamento” ou “receber uma indemnização por cessação objectiva de contrato” sem direito a subsídio de desemprego”. Acrescenta ainda que o subsídio de desemprego só está garantido para os trabalhadores que forem despedidos por justa causa e apenas para quem tem contrato individual de trabalho.

Hélder Rosalino nem sequer pensou bem no absurdo das suas palavras, que configuram a negação absoluta da Justiça. Não creio que haja um só funcionário que esteja a pensar em solicitar entrar para o sistema de requalificação e que de livre vontade queira pedir uma licença sem vencimento. Já quanto à indemnização, o factor idade que querem introduzir, é a negação absoluta dos direitos por tempo de trabalho.
 
O secretário de Estado não consegue descortinar, que sendo os funcionários privados de salário por determinação legal, ao fim dos 18 meses no sistema de requalificação, ficarão em situação de despedimento por justa (?) causa? Será que Hélder Rosalino acha que afinal estamos perante despedimentos sem justa causa? 



terça-feira, maio 07, 2013

OS PRIVILEGIADOS



Quem não se recorda de ter ouvido dizer que os funcionários públicos eram uns privilegiados relativamente aos restantes trabalhadores? Esse foi o mote para os congelamentos de salários, de progressão na carreira e de cortes nos salários e de subsídios.

O acórdão do Tribunal Constitucional levou a que o governo tivesse que arrepiar caminho no corte dos subsídios, e o governo voltou ao ataque aos funcionários, com o pretexto de reformar o Estado, vamos às rescisões “amigáveis”, ao aumento dos horários de trabalho e mais uns cortes de salários.

Nas rescisões ditas “amigáveis”, que são despedimentos sem justa causa em qualquer lado, os funcionários mais novos têm 1,5 salários por ano de trabalho, os mais velhos e portanto com mais anos de serviço, já só têm direito a 1 salário por ano de trabalho. Claro que isto é justiça à Gaspar.

Também se ficou a saber que os funcionários públicos não têm direito ao subsídio de desemprego, segundo foi explicado porque não descontaram para a Segurança Social. Se bem me lembro, os fp descontam 11% para a Caixa Geral de Aposentações, à semelhança dos 11% que os trabalhadores do privado descontam para a S.S., não será que estão nas mesmas condições? Será que é por causa das reformas? Mas então não estão a igualar as reformas?

Por falar em igualdade, lembrei-me do caso da ADSE, que afinal vai subir mais 1%, porque o Estado não paga a sua parte enquanto patrão, os 23% da praxe, mas dizem que querem que a ADSE fique igual à S.S..
 
Este governo anda a “mangar” com isto tudo, e perdeu a noção da realidade, da justiça e da equidade. Se não é isso, então acho que está a pedir para ser corrido sem apelo nem agravo.  


sexta-feira, maio 03, 2013

OS CULPADOS



O país vive uma crise profunda com um desemprego enorme e com grande parte dos cidadãos enfrentando grandes dificuldades em viver uma vida condigna, mesmo estando empregados.


A actual situação foi causada por maus dirigentes políticos, maus gestores públicos e privados, e o que é curioso é que a grande maioria deles continua em funções em empresas ou em cargos governamentais.


Fala-se em mudar de paradigma, em mudar de vida, mas quem pode acreditar se os que nos conduziram até aqui continuam a ocupar lugares chave na política e nas empresas, tendo apenas mudado de cadeiras?



quarta-feira, maio 01, 2013

O TRABALHO DIGNIFICA



Desde cedo ouvi dizer,
Que o trabalho dignifica.
Mas estou quase a esquecer,
O que isso significa.

Não consigo perceber,
A lógica desta razão.
E por não a conseguir ver,
É que ponho esta questão.

Se isto fosse verdade,
Via-se tanta desgraça?
Ou na realidade,
A vida tinha mais graça?

Aquele que mais trabalhou,
E que foi sacrificado.
Foi o que mais mal ficou,
Por tanto ter trabalhado.

Se o trabalho dignifica,
Como diz este ditado.
Como é que se explica,
O trabalhador ser enganado?

Enganado, e mal pago.
Obrigado a passar fome.
É esta a ideia que trago,
Pois quem não tem, não come.

Quem não trabalha, come.
E chega a comer iguarias.
Quem trabalha, passa fome.
E chega a comer porcarias.

Come, o que apanha na mesa.
Com um bocado de sorte.
E é com uma certa tristeza,
Que vê chegada a sua morte.

Se o trabalho dignifica,
Como já alguém falou.
O que é que significa,
“O trabalho acabou”?

Um trabalhador honrado,
E bom chefe de família,
Ficou sem o ordenado,
E perdeu toda a mobília.

Por não pagar a prestação,
Daquilo que tinha comprado.
Reclamou isso ao patrão,
E ficou desempregado.

Quanto mais ele trabalhou,
Mais ficou endividado.
Mais lixado ele ficou,
Mais vezes sacrificado.

Trabalhar para aquecer,
Mai vale morrer de frio.
Escusas de vir a sofrer,
De uma vida sem brio.

O trabalho dignifica.
Isso diz só o patrão.
E isso ele justifica,
Ao comprar outro “carrão”.

O trabalho dignifica,
Diz ele aos seus empregados.
Mas como é que justifica,
Como paga os ordenados?

Se o trabalho dignifica,
Como tu já o ouviste.
Como é que se justifica,
O desemprego que existe?

zeninumi 25/8/2007