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terça-feira, janeiro 31, 2012

AUSTERIDADE E SOBERANIA

A União Europeia que nos foi prometida e para a qual o povo português não pôde pronunciar-se em referendo, era uma associação de países da qual todos beneficiavam, e onde existia solidariedade entre todos os membros.

De aperfeiçoamento em aperfeiçoamento, sem ser nunca dada qualquer hipóteses de os cidadãos se pronunciarem, e sem uma discussão alargada relativamente ao seu aprofundamento, eis que se chegou a uma crise e estamos perante cenários não previstos.

A fragilidade desta construção arquitectada por gente em quem nem sequer votámos, com projectos nunca democraticamente discutidos, surgiu na sua única forma possível, que se traduziu num directório de dois países que acabou por tomar as decisões por todos os outros.

França e Alemanha, principalmente esta última, ditam os seus termos a troco de empréstimos a que chamam programas de ajuda. A ajuda financeira começa por ser um negócio rentável, eu diria mesmo especulativo, que acaba por asfixiar os ajudados, que são forçados a uma austeridade extrema que impede qualquer hipótese de crescimento, afundando-os irremediavelmente.

Perante a dependência absoluta, a “ajuda” toma uma nova faceta que se traduz na absoluta tutela económica, como a que a Alemanha veio agora propor à Grécia. A Alemanha esqueceu-se do que pode acontecer quando um povo assiste a um atentado à sua soberania e à sua dignidade, e devia ter em conta a sua própria experiência passada, cujos resultados foram os que se conhecem.

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Humor Pedinte

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Desenhos (Des)Animados

quinta-feira, novembro 10, 2011

A DEMOCRACIA DA SENHORA

A União Europeia é um espaço onde se encontram diversos países do nosso continente, unidos por políticas comuns e por uma moeda comum. Não se trata de nenhuma federação, ainda que haja quem nos queira forçar a tal, pela via económica.

Os países aderentes à UE continuam a ser soberanos, pelo menos teoricamente, sendo que os governos nacionais respondem perante os seus cidadãos. Neste momento já há algumas limitações de soberania, por exemplo monetária, por parte dos países que adoptaram o euro.

A senhora Merkel, a chanceler alemã, tem vindo a dar razões a muitos que afirmam que ela quer conseguir por via da economia, o que a Alemanha não conseguiu por via do poder militar, na década de 40 do século passado. A afirmação pode ser excessiva, mas não deixa de ter alguma razão, se considerarmos alguns factos recentes.

A crise do euro, da qual Merkel não deixa ser também responsável, tem sido o pretexto para imposições por parte do directório franco-alemão, que não são consentâneos sequer com as regras da própria organização.

O que faltava era ouvir da boca da própria chanceler alemã que “a Grécia já não pode decidir sozinha se quer ou não realizar um referendo”.

Sem pretender discutir a oportunidade do falhado referendo grego, era só o que faltava não se reconhecer ao povo grego o direito de proceder a um referendo. Os traumas da Alemanha quanto a referendos são um problema alemão, senhora Merkel.

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Foto - Bundestag

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Humor e Adaptação