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quarta-feira, fevereiro 27, 2008

MODERNIDADE SOCIAL

Quando se ouve um político do partido do governo exaltar este “Estado social moderno”, fica-se na dúvida se estamos a falar deste país ou se estamos a ouvir falar de um outro país, quem sabe do norte da Europa. Bem sei que se tratava de um discurso inserido nas jornadas parlamentares do PS, para consumo interno portanto, mas mesmo assim foi um pouco demais.

Uma afirmação fantástica nunca vem só, e o próprio ministro Vieira da Silva contribuiu para a festa ao afirmar que está a desenvolver uma política social “progressista e de Esquerda”. Claro que suavizou um pouco o discurso ao referir-se às “excessivas assimetrias salariais” no país, acrescentando que estas poderão ser combatidas com a qualificação e a formação dos trabalhadores menos qualificados. Já estamos todos a ver a empregada da limpeza e o jardineiro, com um canudo na mão e a auferirem o vencimento de doutores de limpeza ou de engenheiros das ervas.

As desigualdades e a pobreza não são combatidas só com medidas piedosas, ou assistenciais, mas sim com medidas em muitas outras áreas, desde o emprego, melhorias salariais, saúde, ensino e tempos livres, fomentando o desporto escolar, a aprendizagem ao longo da vida, mais segurança laboral, diminuição das assimetrias salariais, enfim políticas que conduzam à plena inclusão dos cidadãos.

O que temos hoje, e a que pelos vistos há quem chame de política social “progressista e de esquerda” de grande (?) sensibilidade social, e que convictamente diz estar num “Estado social moderno”, não passa de uma (má) caricatura do Estado justo e solidário, que nem pintado de rosa se consegue engolir sem se chamar um comboio de nomes a quem parece estar a parodiar com este povo.

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Humor Nacional

segunda-feira, novembro 26, 2007

MARCELO PROGRESSISTA

Já não sou um “cliente” habitual do espaço ocupado na RTP pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa, mas como passa à hora do jantar acaba por ser quase incontornável. No domingo passado o comentador veio dizer que compreende o descontentamento dos funcionários públicos, embora discorde das razões apresentadas pelos sindicatos. Mas não ficou por aqui o senhor professor, porque acrescentou que o governo acabou por ficar com o fardo de ter posto todos os funcionários públicos com o credo na boca, e com medo de serem considerados excedentários, ainda que pouco tenha reformado de facto, e que portanto mais valia que o tivesse feito, porque os estragos já foram feitos na sua imagem. É inegável que a sua costela partidária falou mais alto do que a razão, e a isenção de que faz alguma gala, e também se ficou a saber que o senhor professor ou não se acha dispensável, ou então não precisa para nada do emprego público que ocupa.
O que mais me espantou, ou talvez não, neste seu comentário semanal, foi a atribuição do hipotético apoio de algum patronato à luta protagonizada pelos sindicatos, à desorientação do patronato em geral. Desengane-se professor Marcelo, porque os pequenos empresários já se deram conta de que estão à beira de também perderem os seus negócios e proventos.
Os trabalhadores deste país já foram tão espremidos como a azeitona num lagar, e o azeite (lucro), foi direitinho para o mercado (grandes empresas), restando apenas o bagaço sem grande valor económico, e portanto um subproduto destinado a adubar as terras.
A análise terminou com outro momento alto, quando a propósito da igreja portuguesa o comentador diz que o prelado não é de esquerda, como se afirma, mas sim cristão reformista, classificação em que gostaria certamente de ser incluído, fato que lhe assenta muito mal, e não me refiro obviamente às suas crenças e devoções.


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