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quarta-feira, agosto 22, 2012

O PODER DOS MERCEEIROS


É já de uso comum dizer-se que vivemos num país de merceeiros atendendo ao facto de que algumas das maiores fortunas nacionais serem precisamente de donos de cadeias de hipermercados.

Não é por acaso que nestas empresas existem grandes percentagens de contratados a prazo, nem é por acaso que os hipermercados estão apoiados por grandes cadeias de distribuição que influenciam os preços desde a produção.

Um dos sinais evidentes do poder dos detentores deste tipo de negócio, foi a tal campanha de desconto de 50% em todas as compras no feriado do 1º de Maio, sem qualquer respeito pela lei, aproveitando-se de uma Justiça lenta e ineficaz e de um governo condescendente perante abusos de empresas dominantes.

A nova ofensiva do grande merceeiro é agora a da restrição do uso de cartões de crédito e débito em transações de valor abaixo dos 20 euros. Pode parecer um mal menor mas esta pressão sobre os bancos e sobre as comissões cobradas nestas operações, poderá vir a transferir-se para os consumidores.

Se a banca e a SIBS cederem perante os grandes do retalho, ninguém duvide que o alívio das taxas será compensado por encargos imputados aos portadores dos cartões. Não sejamos ingénuos porque as entidades financeiras não estarão dispostas a renunciar às receitas que resultam do uso dos cartões.    


sexta-feira, maio 16, 2008

MERCEEIROS AO PODER

Quase todos ouvimos falar das “contas de merceeiro” quando alguém é criticado por utilizar apenas cálculos aritméticos. É usual pensar-se que a simplicidade contabilística é inimiga da boa gestão, onde devem imperar as equações e o cálculo de probabilidades, bem condimentadas com o conhecimento da estatística e dos mercados mundiais.

Afinal as “contas de merceeiro” parecem ser mais exactas do que as previsões dos mais reconhecidos economistas nacionais. Veja-se o falhanço no cálculo do crescimento económico português, que estava previsto ser de 2,2% e agora foi corrigido para 1,5%. Mas não será este o único falhanço nas previsões do governo, também a inflação que dizem irá ser de 2,1%, vai ser muito superior, o que até nem é novidade porque sistematicamente os governos (todos) são useiros e vezeiros em errar esta previsão, influenciando deste modo a evolução negativa dos salários.

Numa altura em que o ministro das Finanças que fala de rigor, vem corrigir os seus cálculos, e apregoa seriedade, e um dos candidatos à chefia do maior partido da oposição, ganha alguns apoios por idênticos atributos e por ser economista, apetece-me gritar bem alto: MERCEEIROS AO PODER!

O Goraz a contas...

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