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terça-feira, janeiro 05, 2010

É FÁCIL FALAR DO ALTO

Victor Constâncio, Governador do Banco de Portugal e um dos mais bem pagos governadores dos bancos centrais do mundo, bem acima do que aufere o seu homólogo dos EUA, por exemplo, veio a terreiro dizer que não podemos esperar pela recuperação económica para reduzir o défice.

Este senhor, pelo qual não nutro a menor simpatia, embora desta vez não tenha apresentado qualquer sugestão para se obter a tal redução do défice, é sobejamente conhecido pelas suas sugestões anteriores, que apontavam sistematicamente a diminuição ou congelamento dos salários, e a manutenção da carga fiscal ou o seu alívio para as empresas de modo gradual.

A classe dos economistas têm sido particularmente alinhada com o poder e com o empresariado, de que dependem muito naturalmente, e não podem reclamar para si mais credibilidade do que qualquer outro profissional de qualquer profissão, já que estão inevitavelmente ligados à situação das empresas nacionais e à situação económica do país.

Movimentando-se em circuito fechado, aliados do poder económico ou político, nunca os ouvi reconhecer erros na sua actuação, ou no conjunto de decisões tomadas pelos governos ou empresas aos quais estiveram ligados, parecendo que nunca influenciaram as decisões tomadas e os resultados conhecidos.

Assim é fácil falar, bastando atirar as culpas para os custos do trabalho (dos mais baratos da Europa), aos altos salários dos funcionários ( não gostam de divulgar os seus), à burocracia (da responsabilidade dos decisores), à baixa produtividade (a deles é das menores da Europa), e à crise para a qual não mostraram habilidade para dar a volta.

É fácil senhores economistas, mas onde ficam as vossas responsabilidades nisto tudo?



Larry Wright

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Fotos - Em Estilo Renascentista
Cameron Diaz By IngelaS

Robin Williams By Mandrak

sexta-feira, abril 11, 2008

GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS

Até chegar à reforma trabalhei por conta de outrem em diversas actividades, no sector privado e na administração pública, como subalterno e com funções de chefia intermédia, lidando com diversos tipos de altas chefias. Durante trinta e oito anos lidei com diversos tipos de pessoal e de chefias, e pelo que pude constatar, os defeitos de gestão dos recursos humanos não foram sendo corrigidos, pelo contrário, agravaram-se.

Os maiores problemas que enfrentei foram naturalmente enquanto chefia intermédia, e prenderam-se essencialmente com problemas organizativos, falta de planeamento e ausência de diálogo. Em regra, o patrão ou a hierarquia mais elevada, em Portugal, decide sem consultar quem está no terreno, e quando comunica a decisão quase nunca está disposto a dar, nem sequer a ouvir da parte de quem irá executar, os meios necessários para a realização das tarefas. Querem o trabalho feito e as dificuldades apresentadas são sempre consideradas má vontade e resistência injustificada à mudança. Desenrasquem-se, é a palavra mais pronunciada.

No terreno há condicionantes que no planeamento teórico e primário não existem. Férias, doenças, avarias e outros factores inerentes a cada actividade, nunca são devidamente ponderados, e com políticas de redução do pessoal à sua expressão mínima, não deixam margem de manobra para a produção. Nos últimos 15 ou 20 anos optou-se pelo recurso aos contratos a prazo, e o tempo de aprendizagem e de integração também não entra na equação de quem realmente manda.

Claro que somos sempre confrontados com o valor dos custos do trabalho, mas ninguém parece perceber os custos, talvez menos visíveis para quem não conhece a realidade por dentro, que são ocasionados pelo aumento do stress acumulado por equipas sobrecarregadas de trabalho, pela menor produtividade do pessoal a prazo, quer por inexperiência quer por falta de estabilidade laboral. O estímulo é nulo, as tensões aumentam e a falta de diálogo desmotiva e enfraquece a coesão das equipas.

Temos muito a aprender com os métodos e o planeamento cuidadoso e participado que é uma norma observada pelas empresas estrangeiras, quer no Oriente quer no Norte da Europa.


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Fotos de Autor(a)

Horizontes por Fernanda



Pico por Fernanda


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Humor dos States


Tab (Thomas Boldt)


John Cole


M. e. Cohen

segunda-feira, novembro 05, 2007

IRRACIONALIDADE NA GESTÃO

Sempre que posso, não dispenso a conversa de café com os amigos de há longa data, decorra ela num café ou na casa de um de nós. Temos actividades diferentes, experiências diversas, formações díspares, e talvez apenas as idades sejam o que temos de maior proximidade, embora entre o mais velho e o mais novo exista uma diferença de pelo menos vinte anos.
Um dos que sentaram à volta da mesa é empresário à séria, com um negócio com mais de trezentos funcionários, e acabou por confessar que tinha alinhado durante mais de quinze anos, na onda dos contratos a prazo através do Centro de Emprego, pretendendo assim aliviar os encargos com o pessoal. Começo com uma dezena, e à medida que alguns funcionários mais velhos exigiam aumentos ou se reformavam, foi aumentando até atingir um número de contratados superior às cem pessoas. Passados estes quinze anos, tem agora um grande problema entre mãos, já que os chefes de equipa estão reduzidos ao mínimo, todos com mais de 55 anos e não encontra substitutos à altura, nem em conhecimentos práticos, nem em capacidade de chefia e gestão de pessoal.
Outro, dos amigos de tertúlia, é funcionário público, e com larga experiência em diversos sectores, foi informado pela chefia do serviço de que não seríam atribuidas as melhores notas a nenhum dos funcionários daquele serviço, porque a única que existia para ser atribuida ía direitinha para o seu braço direito. Confrontada com a injustiça, até porque a pessoa em questão estava no serviço há pouco mais do que seis meses, e ainda nem sequer conhecia os cantos à casa, havendo outros que eram indispensáveis ao funcionamento do serviço que mereciam muito mais essa classificação, a chefia começou imediatamente a hostilizar os melhores funcionários e a retaliar, responsabilizando-os por todos os problemas, mesmo daqueles para os quais sabe não haver nem meios humanos, nem tempo para serem executados.
A curiosidade destes dois desabafos é que, o empresário fora da empresa reconhece que tanto quis ganhar que ficou numa situação muito incómoda, que o vai obrigar a investir na formação e a pagar muito bem aos seus funcionários para garantir um bom desempenho e produtividade, já no sector público, como a chefia depende apenas e só da confiança política, limita-se a atirar as culpas aos subordinados, porque tem o lugar assegurado bastando para isso cortar nos custos que é só o que o ministério lhe exige.
Afinal a diferença entre o sector privado e o público é pequena e resume-se apenas a uma frase: o privado pode ir à falência, o público pode mandar o Estado (nós todos) à falência.

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Fotografia
Não passarão - GataLoca
Ascenção - Игорь Богун

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Humor

Delize

Werner Wejp-Olsen



Werner Wejp-Olsen