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sábado, dezembro 09, 2017

CITAÇÃO DA SEMANA

"Quando alguém se torna director de museu gosta de pensar essencialmente no estatuto. Tendo estas funções, prefiro ver-me como curadora porque é isso que me fascina e me estimula a trabalhar. Se tivesse de escolher uma palavra para descrever a minha profissão, seria curadora, não directora. É muito fácil um diretor perder de vista a própria arte. Ser curadora significa estar mais perto da arte, na maneira de a ver, pensar e entender. Gosto de partilhar este interesse comum pela arte, fascina-me estar com os artistas, entender o trabalho deles, visitar exposições e perceber porque é que algumas funcionam e outras não.”

Penelope Curtis in Observador

sexta-feira, abril 11, 2008

GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS

Até chegar à reforma trabalhei por conta de outrem em diversas actividades, no sector privado e na administração pública, como subalterno e com funções de chefia intermédia, lidando com diversos tipos de altas chefias. Durante trinta e oito anos lidei com diversos tipos de pessoal e de chefias, e pelo que pude constatar, os defeitos de gestão dos recursos humanos não foram sendo corrigidos, pelo contrário, agravaram-se.

Os maiores problemas que enfrentei foram naturalmente enquanto chefia intermédia, e prenderam-se essencialmente com problemas organizativos, falta de planeamento e ausência de diálogo. Em regra, o patrão ou a hierarquia mais elevada, em Portugal, decide sem consultar quem está no terreno, e quando comunica a decisão quase nunca está disposto a dar, nem sequer a ouvir da parte de quem irá executar, os meios necessários para a realização das tarefas. Querem o trabalho feito e as dificuldades apresentadas são sempre consideradas má vontade e resistência injustificada à mudança. Desenrasquem-se, é a palavra mais pronunciada.

No terreno há condicionantes que no planeamento teórico e primário não existem. Férias, doenças, avarias e outros factores inerentes a cada actividade, nunca são devidamente ponderados, e com políticas de redução do pessoal à sua expressão mínima, não deixam margem de manobra para a produção. Nos últimos 15 ou 20 anos optou-se pelo recurso aos contratos a prazo, e o tempo de aprendizagem e de integração também não entra na equação de quem realmente manda.

Claro que somos sempre confrontados com o valor dos custos do trabalho, mas ninguém parece perceber os custos, talvez menos visíveis para quem não conhece a realidade por dentro, que são ocasionados pelo aumento do stress acumulado por equipas sobrecarregadas de trabalho, pela menor produtividade do pessoal a prazo, quer por inexperiência quer por falta de estabilidade laboral. O estímulo é nulo, as tensões aumentam e a falta de diálogo desmotiva e enfraquece a coesão das equipas.

Temos muito a aprender com os métodos e o planeamento cuidadoso e participado que é uma norma observada pelas empresas estrangeiras, quer no Oriente quer no Norte da Europa.


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