Victor Constâncio, Governador do Banco de Portugal e um dos mais bem pagos governadores dos bancos centrais do mundo, bem acima do que aufere o seu homólogo dos EUA, por exemplo, veio a terreiro dizer que não podemos esperar pela recuperação económica para reduzir o défice.
Este senhor, pelo qual não nutro a menor simpatia, embora desta vez não tenha apresentado qualquer sugestão para se obter a tal redução do défice, é sobejamente conhecido pelas suas sugestões anteriores, que apontavam sistematicamente a diminuição ou congelamento dos salários, e a manutenção da carga fiscal ou o seu alívio para as empresas de modo gradual.
A classe dos economistas têm sido particularmente alinhada com o poder e com o empresariado, de que dependem muito naturalmente, e não podem reclamar para si mais credibilidade do que qualquer outro profissional de qualquer profissão, já que estão inevitavelmente ligados à situação das empresas nacionais e à situação económica do país.
Movimentando-se em circuito fechado, aliados do poder económico ou político, nunca os ouvi reconhecer erros na sua actuação, ou no conjunto de decisões tomadas pelos governos ou empresas aos quais estiveram ligados, parecendo que nunca influenciaram as decisões tomadas e os resultados conhecidos.
Assim é fácil falar, bastando atirar as culpas para os custos do trabalho (dos mais baratos da Europa), aos altos salários dos funcionários ( não gostam de divulgar os seus), à burocracia (da responsabilidade dos decisores), à baixa produtividade (a deles é das menores da Europa), e à crise para a qual não mostraram habilidade para dar a volta.
É fácil senhores economistas, mas onde ficam as vossas responsabilidades nisto tudo?


