terça-feira, maio 30, 2017
O ASSÉDIO
sábado, março 07, 2009
CRISE E INSEGURANÇA
Não tenho por hábito ouvir debates pontuados pela presença da “inteligência nacional” porque sempre preferi “ouvir a rua”, informalmente e em nota de desabafo, que muitas vezes me dá melhores pistas sobre a vida neste país.
Se a crise influencia o crime, tenho que concordar que sim, é natural até, mas não explica o aumento da criminalidade violenta que temos verificado. Podia também dizer que a impunidade reinante e as penas de prisão, num sistema em que a reabilitação é uma miragem, também em nada ajudam.
Mas não se esqueçam que a insegurança deriva de outros factores, uns psicológicos, outros efeito da mediatização de alguma criminalidade e ainda outros factores mais ou menos difusos, mas não menos importantes.
O desemprego, verdadeira chaga social, é um processo destrutivo, que mina a estima pessoal do indivíduo, causa o desespero muito por causa da ineficácia da nossa segurança social, e corrói a vida familiar e o modo como o indivíduo se passa a relacionar com a sociedade que o rejeitou.
Neste momento, e não sou o único que o digo, este mar de desempregados que o sistema criou, aliado à má distribuição da riqueza que é gritante em Portugal, mais o temor reinante em muitos trabalhadores por conta de outrem, que sabem que não têm qualquer segurança laboral e que a qualquer momento podem ser descartados e substituídos por alguém que, devido à aflição, se oferece por um salário mais baixo, o ambiente de insegurança é real e pode ser explosivo à mínima fagulha que possa unir os vários descontentamentos.





