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terça-feira, maio 30, 2017

O ASSÉDIO

Ainda há pouco a conversa no café andava em torno do assédio sexual e do assédio moral nos locais de trabalho, e como sempre o ponto mais controverso era se eram os homens ou as mulheres as principais vítimas.

Pelo que pude consultar através do telemóvel, tudo terá começado por causa de um estudo que será debatido na Assembleia da República e que terá sido promovido pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) e desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

Independentemente dos resultados apresentados e das percentagens registadas, que nem sequer discuto, parece-me que o foco da atenção está claramente deslocado, já que a comparação de percentagens de homens e mulheres vítimas do assédio, dá sempre como resultado a discussão de qual o género mais ofendido.


Para mim o assédio moral e o sexual é sempre condenável, seja qual for o género da vítima e ponto final. Deixem-se de distinções de sexo e debrucem-se sobre as formas de identificar e punir os agressores, também sem qualquer distinção de sexo, que só assim se acabará com estes comportamentos e se fará Justiça.


sábado, março 07, 2009

CRISE E INSEGURANÇA

Não tenho por hábito ouvir debates pontuados pela presença da “inteligência nacional” porque sempre preferi “ouvir a rua”, informalmente e em nota de desabafo, que muitas vezes me dá melhores pistas sobre a vida neste país.

Se a crise influencia o crime, tenho que concordar que sim, é natural até, mas não explica o aumento da criminalidade violenta que temos verificado. Podia também dizer que a impunidade reinante e as penas de prisão, num sistema em que a reabilitação é uma miragem, também em nada ajudam.

Mas não se esqueçam que a insegurança deriva de outros factores, uns psicológicos, outros efeito da mediatização de alguma criminalidade e ainda outros factores mais ou menos difusos, mas não menos importantes.

O desemprego, verdadeira chaga social, é um processo destrutivo, que mina a estima pessoal do indivíduo, causa o desespero muito por causa da ineficácia da nossa segurança social, e corrói a vida familiar e o modo como o indivíduo se passa a relacionar com a sociedade que o rejeitou.

Neste momento, e não sou o único que o digo, este mar de desempregados que o sistema criou, aliado à má distribuição da riqueza que é gritante em Portugal, mais o temor reinante em muitos trabalhadores por conta de outrem, que sabem que não têm qualquer segurança laboral e que a qualquer momento podem ser descartados e substituídos por alguém que, devido à aflição, se oferece por um salário mais baixo, o ambiente de insegurança é real e pode ser explosivo à mínima fagulha que possa unir os vários descontentamentos.



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