sexta-feira, agosto 04, 2017

COISAS DO TURISMO



Para uns o aumento do número de turistas é uma bênção, para outros pode ser um verdadeiro problema.

Para quem vive, ou pretende viver nos bairros típicos de Lisboa, coloca-se um problema grave com o preço das casas, e consequentemente das rendas. O comércio também é ameaçado, exactamente pelos mesmos motivos, e a Câmara de Lisboa pouco faz para resolver este problema.

As agências que trabalham com turistas, fornecendo serviços como visitas guiadas, também encontram um mar de dificuldades, porque a circulação de autocarros e o estacionamento dos mesmos é um bico-de-obra, afectando com isso não só as agências mas também os guias turísticos que para elas trabalham.

Os moradores dos locais mais visitados sofrem com a falta de lugares de estacionamento, e também com a poluição causada por toda a frota de veículos que transporta turistas por esses locais.

As lojas de artesanato português já quase não existem, porque os produtos genuínos são caros e os turistas (de baixa qualidade) contentam-se com as imitações orientais que são iguais em todo o lado. Os restaurantes com comida genuinamente portuguesa não sobrevivem, e proliferam os restaurantes que fornecem pratos exactamente iguais aos que podemos encontrar em qualquer cidade turística em qualquer cidade europeia.

Será que eu sou contra o turismo que tanto ajuda a economia portuguesa? Evidentemente que não, porque eu próprio estou ligado à actividade turística.

Onde eu discordo com a política seguida e apoiada por algumas câmaras e pelo Turismo de Portugal, é na aposta na quantidade, em vez de se apostar na qualidade, fornecendo um melhor serviço e apostando no que de genuíno e melhor temos para oferecer.

Para os distraídos lembro que o turismo é uma indústria muito instável, que tão depressa nos beneficia como depois nos esquece e se muda para outras paragens num piscar de olhos. Quando nada de novo tivermos para oferecer, o mercado de massas foge para outras paragens mais exóticas e com preços mais competitivos.


1 comentário:

maceta disse...

até no meu prédio já existem poliglotas de improviso...