domingo, abril 13, 2014

SOBRE OS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES

Quase todos os autores coincidem em que 1415 e a conquista de Ceuta marcam o início das descobertas portuguesas, período glorioso da nossa História que se prolonga até à empresa do D. Sebastião que nos levaria a 40 anos de dominação espanhola.

Quem sou eu para contrariar os nossos historiadores, que também glorificam o infante D. Henrique, como um visionário e impulsionador da nossa saga marítima?

Claro que posso constatar que a conquista de Ceuta era benéfica para a nobreza, que daí extraia vantagens, ainda que ao país a manutenção dessa praça fosse ruinosa. É também muito evidente que a partir de certa altura foi o interesse comercial que comandou as descobertas para além das Canárias.

Depois dos interesses duma nobreza que perde a sua importância com D. João II e com D. Manuel, surge uma classe burguesa que impulsiona em larga medida a expansão marítima. A expansão da fé esteve presente, por conveniência e para servir de justificação, e irá por acabar por ser um entrave, já que D. João III e a Inquisição acabariam por correr com os judeus e com isso boa parte da importância mercantil vai para os países baixos , onde eles encontrariam guarida.

O mito criado em redor do infante D. Henrique, que tinha largos proventos com a empresa marítima, pode muito bem derivar da tentativa de fazer esquecer Alfarrobeira e a morte trágica de D. Pedro.


Nota: Este texto foi o embrião duma tese apresentada há cerca de 30 anos, que na altura não foi muito bem recebida, mas que depois foi seguida por bastantes colegas.


1 comentário:

Anónimo disse...

A nota não foi famosa mas depois veio o reconhecimento
Bjos da Sílvia