domingo, dezembro 11, 2011

O DINHEIRO

O dinheiro é tão bonito,
Tão bonito, o maganão!
Tem tanta graça, o maldito,
Tem tanto chiste, o ladrão!
O falar, fala de um modo...
Todo ele, aquele todo...
E elas acham-no tão guapo!
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.

E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
E só dizer-lhe: «Aí vai...»
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata, tome conta!
Pois não faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
Tlim!
Pronta.

Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
São milagres aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
De gramática latina,
Quer-se um rapaz dali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas, tais coisinhas...
Tlim!
Ora...

Aquela fisionomia
É lábia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,
Aproveita a ocasião:
«Conhece este amigo antigo?»
— Oh, meu tão antigo amigo!
(Tlim!)
Pois não!

João de Deus, in 'Campo de Flores'


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Humor - A Diferença

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Foto - A Rosa

5 comentários:

maceta disse...

muito actual e adequado às víboras...

cptos

Metalurgia das letras disse...

"O amor ao dinheiro de fato é a razão de todos os males". Uma sociedade mais justa se faz com a distribuição das riquezas e não com o sofrimento dos mais pobres.

Anónimo disse...

Quem vai na lábia do demo não tem muito que se queixar, pena é que todos sofram por esses erros.
Bjos da Sílvia

São disse...

A rosa é maravilhosa...o poema certeiro.

Bom domingo.

tulipa disse...

Gosto do poema certeiro,
do humor,
mas muito mais da fotografia da rosa, linda de morrer!!!

Bom Domingo.
Beijo.