sábado, novembro 15, 2008

CULTURA SEM CREDIBILIDADE

Hoje fui surpreendido com um artigo do Expresso em que Pinto Ribeiro, ministro da Cultura do Governo de José Sócrates, diz textualmente “não estou satisfeito com o orçamento”, e em seguida dispara acusações sobre os seus antecessores, acusando-os de má gestão.

Este artigo foi tema de conversa num almoço na Batalha, onde estava reunido o meu grupo de tertúlia, que aproveitou em peso para me confrontar com esta declarações do ministro, julgando eles que a minha opinião sobre este senhor, pudesse ser alterada à luz destas declarações.

Para surpresa dos meus amigos, apenas consegui concordar com o título da 1ª página, “o meu ministério não tem credibilidade”, e em tudo o resto sou muito crítico em relação a Pinto Ribeiro.

Este Ministério da Cultura, com José António Pinto Ribeiro à frente, perdeu a pouca credibilidade que eventualmente teria até à sua posse. Os lamentos de que não está satisfeito com o orçamento que lhe foi atribuído para 2009, não colhem qualquer simpatia, porque todos se recordam das suas primeiras declarações após a tomada de posse, dizendo que queria fazer mais com menos dinheiro. Foi imprudente, e deu um monumental tiro no pé, demonstrando desconhecer em absoluto a situação do ministério, e revelando a sua total inexperiência política.

À imprudência, e à inexperiência política, junte-se ainda um erro imperdoável, que é comum em muitos políticos cá do burgo, o de atirar a culpa para os seus antecessores, como se a aceitação do cargo não tivesse implícito o conhecimento detalhado das tarefas que aceitam ao anuírem a uma nomeação desta natureza.

Neste momento as queixas do senhor ministro da Cultura não fazem qualquer sentido, já que voluntariamente faz parte de um executivo que é (?) solidário com o seu chefe, e talvez fosse mais conveniente vir a terreiro elucidar os cidadãos sobre os seu projectos para a Cultura, em 2009. O senhor ministro sabe, ou pelo menos devia saber, que os funcionários dos museus, palácios e monumentos têm sérias apreensões, sendo que a maior se prende com a possibilidade da privatização de alguns serviços, e sobre isso o senhor ministro disse: NADA!

Qual vai ser o destino do futuro Museu dos Coches, da Torre de Belém, do Palácio Nacional de Mafra, do Palácio Nacional de Queluz, do Palácio Nacional de Sintra, do Mosteiro da Batalha, do Convento de Cristo, do Mosteiro de Alcobaça, para mencionar apenas alguns? Porque não nos fala das contrapartidas relativas à gestão do Palácio Nacional da Pena, entregue aos Parques de Sintra? Talvez tivesse sido interessante ter abordado estes assuntos em vez de ter dado esta entrevista muito pouco esclarecedora, e certamente ganharia alguma credibilidade, o que não conseguiu com este tipo de discurso.




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11 comentários:

Jorge P.G disse...

Estive a pontos de ler a entrevista mas meteu-se qualquer coisa de permeio que me fez mudar agulha para outro carril.

De qualquer forma, agora já nem vou perder tempo a ler a entrevista com as desculpas do senhor ministro.
Dele, sei que usa óculos, viaja muito e raramente fala em público, o que me parece muito bem pois para dizer nada mais vale estar caladinho.

Com a alegria do convite para ser ministro, o pobre homem nem se terá lembrado de ter uma ideiazita de como andavam as coisas lá pelo ministério. Coisa pouca, nada que outros não façam...

Um bom fdsemana e
Cumps.

Anónimo disse...

O senhor ministro foi lá colocado para proceder à privatização do sector. Essa era a voz corrente quando foi nomeado e agora é uma evidência, que só não vê quem não conhece o sector ligado ao Património. O teu amigo Zé Povinho, em tempos questionava-se sobre Sta Clara e a Quinta das Lágrimas, e na semana passada a resposta veio com as declarações da própria edilidade. Sintra, Queluz e Mafra vão ser engolidas pelos lunáticos e a Rota dos Mosteiros ou Templários também vai como o vento.
Isto ele não diz, pelo menos antes das eleições, mas o orçamento é o que se sabe.
Bjos da Sílvia

Anónimo disse...

O Sr. está a lá para a foto. Melhor pavão não podia ter sido escolhido.
Para quê fazer perguntas? Para quê pesar as suas "decisões"? O Pavão n perde a pena ...

Violeta disse...

As imagens estão espectaculares. O Texto´deixou-me incrédula.
Então esta gente não tem vergonha?

Savonarola disse...

Neste governo do Sócrates, Cultura foi algo que desapareceu algures no deserto do cartoonista...

Um abraço anarquista

elvira carvalho disse...

Neste governo anda muita gente a dar tiros nos pés.
Um abraço e bom Domingo

Sophiamar disse...

Há muito que não ouço falar deste ministério nem do ministro. Cheguei a pensar que tivesse sido aglutinado por outro qualquer. Afinal a cultura continua pelas ruas da amargura.
Tão triste!

Um abraço

TRÍPTICO(POEMAS)FERNANDA disse...

Olá querido Amigo, votos de bom Domingo... Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

TRÍPTICO(POEMAS)FERNANDA disse...

Olá querido Amigo, votos de bom Domingo... Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

Ludo Rex disse...

O pior é que não sabemos onde anda o Ministério... Será que ainda existe?
Abraço

Emre disse...

hi
strip cartoons were drawn by emre özdemir.

http://www.irancartoon.com/daily/finalists/ResultsCity2008.htm