segunda-feira, dezembro 17, 2007

MANUEL PINHO E A INFLAÇÃO

As declarações de Manuel Pinho costumam ser objecto das mais variadas piadas e anedotas, e pode dizer-se que ele tem feito por merecer esta distinção. Ainda nos últimos dias, a propósito dos dados revelados pelo Eurostat referentes a Novembro deste ano, onde constavam os valores da inflação da zona Euro, de 3,1% e de Portugal de 2,8%, veio o ministro desvalorizar estes valores, preferindo destacar as expectativas mais optimistas da OCDE.
É um hábito dos nossos governantes de desvalorizarem sistematicamente os dados negativos, apressando-se a mencionar apenas os que apresentam resultados que lhes sejam favoráveis ou menos desfavoráveis. Que importa afinal a Manuel Pinho que o governo tenha errado na previsão da inflação, se o faz propositada e sistematicamente para limitar o crescimento dos salários?
Quando um ministro da Economia desvaloriza a subida da inflação e se agarra ao crescimento do PIB, dizendo até que será uma grande satisfação para todos os portugueses, algo vai tremendamente mal no modo de raciocinar daquela cabecinha, ou então está a escrever um novo manual de economia virtual.
A um ministro exige-se mais ponderação quando se pronuncia e mais seriedade na análise das questões. Não é novidade para nenhum português que o aumento do PIB tem o seu lado negro bem presente, no aumento dos impostos, na redução dos salários reais e no aumento do desemprego. Manuel Pinho pode até fazer o pino para tentar explicar o inexplicável, mas não pode fingir que ignora estas realidades, nem o facto de a grande maioria dos cidadãos deste país já não pode apertar mais o cinto, muitos já nem conseguem honrar os compromissos entretanto assumidos, e que a Segurança Social alimentada pelos descontos dos que ainda trabalham ou empregam não consegue sobreviver mais tempo com estes níveis de salários, pensões e desemprego.
Por vezes acho que há ministros que o que faziam melhor, era permanecer calados, porque começamos todos a pensar que nos estão a tratar como imbecis, a nós que lhes pagamos o salário.

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7 comentários:

Rui Caetano disse...

ESta história dos orçamentos e das contas do país está a nos arruinar.

ANTONIO DELGADO disse...

Quando era pequeno e andava na instrução primária ensinaram-me que dois mais dois eram quatro, hoje em dia parece que já não é assim. A nossa falta de apetencia para as matemáticas, como nos dizem é conhecida e no ministerio da economia talvez seja onde melhor se note esta lusa caracteristica...As imagens e os "comics", das suas postagens são sempre de qualidade superior.
Um forte e fraterno Abraço e boa semana.
António

quintarantino disse...

Estes artificialismos a que lançam mão para aumentar ou diminuir umas décimas deviam fazer rir... o problema é que nós não podemos... eu, pelo menos, não posso.

Sílvia disse...

A referência a um dos ministros mais broncos e afastados da realidade, peca por ser demasiado soft. Esse fulano não existe, é uma ficção barata dum burro, muito burro mesmo.
Bjos

FERNANDA & SONETOS disse...

Olá Guardião, linda postagem.
Imformativa e divertida.
Um beijão.
Fernandinha

adrianeites disse...

sim... de que adianta crescer se o preço de vida aumenta..

esse manuel pinho é mesmo um pastor..

boa semana

SILÊNCIO CULPADO disse...

Nós somos mesmo tratados como imbecis. E somos porque deixamos. A realidade é fabricada à medida dos interesses. Porém, e para além desses fabricos umas vezes artesanais outras mais sofisticados, o país continua a registar um aumento de desemprego e um menor poder de compra para a maioria das famílias portuguesas. Enquanto isso os ricos estão cada vez mais ricos e os Bancos com cada vez mais lucros.