terça-feira, agosto 21, 2007

OS EXCESSOS

O que aconteceu com um campo de milho transgénico em Silves, fez-me recordar outros excesso a que assisti num passado remoto, também praticados por jovens que não mediram bem o alcance dos seus protestos, ainda que a razão lhes pudesse assistir.
Neste caso recente, percebe-se que há ainda muitas incógnitas e muitas incertezas, sobre a possibilidade de haverem efeitos nocivos a longo prazo para o homem e para as espécies. Ninguém pode assegurar que no futuro não possamos vir a sofrer efeitos negativos com estas manipulações. Os protestos podiam ser orientados doutra forma, sobretudo sem atingir os bens de quem vive do seu trabalho, e nem sequer tem grandes responsabilidades e conhecimentos sobre o assunto.
Há muito tempo atrás, noutros ares, com motivações de índole política e não ambiental, assisti também a jovens universitários portugueses que incitaram trabalhadores agrícolas moçambicanos a não cortarem a cana-de-açúcar junto ao pé, pois isso significaria dobrarem-se às ordens dos “portugueses colonialistas”. Também entendo que o fervor daqueles jovens possa ter sido genuíno, mas os resultados foram a paralisação da fábrica que só laborou 1/5 da produção dos campos, já que o restante ficou por colher. Logo a seguir veio o abandono da produção e o desemprego.
Lutar por ideais é legítimo, é uma forma de participação cívica, mas os riscos devem ser medidos de modo a não se perder a razão por acabar por atingir apenas quem não tem culpa nenhuma.
Os excessos acabam sempre por se virar contra quem age impensadamente, ainda que com razão, e não atinge os alvos ou os responsáveis pelas situações contra as quais se protesta. De certo modo foi isto que agora aconteceu.

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Alexandre O’Neill

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teima em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

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The story of a sorry Ferrari…
August 17th, 2007, filed by Robert Basler
Hey, Blog Guy - I know you’ve managed to come up with some incredible video for others, so it’s my turn. I’d love to see a bunch of REALLY expensive cars smashed to smithereens. I’m talking Porsches, Lamborghinis, stuff like that. Make my fantasy come true!
That’s a pretty tall order - I don’t have an unlimited budget, you know. Still, I managed to come up with footage of $700,000 worth of fabulous cars being reduced to scrap iron. There was supposed to be a Bentley in the collection, too, but I “borrowed” it. Don’t tell the IRS. Here’s the video:
In Reuters

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Em destaque
Engenharia Sanitária
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Foto - Abelhinhas

Busy Bee by Atle J. Goutbeek

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Humor e correctores

Bob Englehart

11 comentários:

ANTONIO DELGADO disse...

Amigo Guardião , de facto por muita razão que pudessem ter, nos seus ideais, os jovens que atacaram a a produção particular de milho manipulado geneticamente, perderam-na ao atacarem uma propriedade privada e como bem diz, o trabalho de alguém que vive dele.Em Portugal e passados 33 anos do 25 de abril, nota-se como há um grande deficit de cultura interventiva. Esta ainda não se emancipou e a meu ver do vandalismo.

Como sempre as imagens são muito pedagogicas além de muito estéticas...um abraço
Antonio

aryana disse...

Caro Guardião
Eu sou mais a favor do preventivo do que do curativo ou do irremediavelmente perdido.
Também a ministra da saúde Maria dos Prazeres Beleza,porque não soube acautelar,contaminou e matou gente que só queria cuidados de saúde.
Quando existem dúvidas,no que respeita à saúde e integridade física do ser vivo e particularmente ao homem,não se deve experimentar,para isso existem cobaios nos laboratórios científicos.
Contudo não concordo de todo com o que e como foi feito.
Saudações

Belzebu disse...

Foi algo que me lembrou os tempos das ocupações selvagens e da selvajaria sem controlo! Não gosto, não me revejo neste tipo de atitudes, ainda que não não questione as razões.

Um abraço infernal!

Tiago R Cardoso disse...

Parece que se tratava de um movimento ecológico, pesquisem e vejam, em vários jornais, o que esses senhores fizeram no acampamento, onde estiveram, muito ecológico.

quintino disse...

A cultura de cidadania que temos é esta.
Triste Nação que no seio não consegue encontra forças para arejar ideias e encontrar formas de dar um novo rumo ao futuro.
E, permita-me, porque é que esses jovens não foram fazer essa arruaça lá para os lados de Albufeira, por exemplo? Ou para um supermercado da Sonae ou da Auchan?

Zé Povinho disse...

É mais fácil perder a razão com atitudes impensadas, do que afirmá-las. A intervenção cívica tem de ser assim mesmo - cívica!
Abraço do Zé

quintino disse...

Apercebi-me agora que terá nomeado/indicado o blogue "notassoltasideiastontas" para um award schmooze.
Apesar de ficar na dúvida se era mesmo para mim ou para o Tiago, venho aqui agradecer-lhe a gentileza.
Solicito-lhe, se não for abuso, que me link.

J.G. disse...

Não discuto a finalidade, pois não estou bem por dentro dessa matéria, mas questiono e condeno o método.
Ocupações selvagens não têm a minha simpatia, por princípio.
E se alguma razão porventura assistir aos promotores e participantes, o meio e a forma usados só os prejudicou aos olhares da opinião pública e dos governantes.
Parece coisa de crianças. Mas enfim, não posso comentar o que não conheço com maior profundidade.

um abraço.

Meg disse...

Segundo sei, não se tratava própriamente de "um grupo de jovens" assim sem mais nem menos.
A Universidade Nova de Lisboa talvez esteja na origem destes incidentes.
Mas as imagens são lamentáveis, como os meios utilizados contra pessoas que apenas ganham o seu pão.
Não gosto de violência, desta também não.
Um abraço

adrianeites disse...

"Lutar por ideais é legítimo, é uma forma de participação cívica, mas os riscos devem ser medidos de modo a não se perder a razão por acabar por atingir apenas quem não tem culpa nenhuma"

nem mais!

não há ninguem que puxe de vez aquele autoclismo??

cp's

João Rato disse...

O acto dos jovens é condenável, o do governo é incompreensível, o do ministro é patético!