sexta-feira, outubro 18, 2013

A MÁ GESTÃO DA MINISTRA



Ainda há quem se questione sobre a razão de Portugal estar nesta situação de crise, não conseguindo sequer imaginar a extensão da incompetência de alguns governantes.

É evidente que muitas vezes a incompetência não é a explicação para certas decisões, porque existem sempre bem evidentes as influências e as pressões de outros poderes instituídos, que acabam por fazer pender decisões para o lado que mais favorece alguns, em detrimento de outros.

Neste momento quero salientar as declarações da ministra das Finanças, quando revela que não consegue poupar, lembrando que tem “três filhos pequenos” e que os cortes na função pública também a afectam. É curioso que ela diga isto quando também é responsável por cortes nos vencimentos dos funcionários públicos acima dos 600 euros, por cortes nos subsídios de desemprego a partir de valores ainda mais baixos, e no corte de pensões a partir de montantes irrisórios.

A pergunta que se impõe é: como é que com 485 euros, o salário mínimo nacional, sobreviveria a senhora ministra das Finanças?

Há portugueses com muito melhores capacidades para enfrentar tempos difíceis do que Maria Luís Albuquerque e todos os outros membros do governo e da maioria que o suporta, isso é absolutamente incontestável…



quarta-feira, outubro 16, 2013

A FALTA DE EQUIDADE NA AUSTERIDADE



Fiz um esforço enorme para conseguir “aguentar” os mais de 25 minutos de massacre verbal da ministra das Finanças a propósito do Orçamento de Estado para 2014, mas em nada alterei a minha ideia sobre a falta de equidade na distribuição dos sacrifícios exigidos pelo governo.
 
Confirmou-se que a maior parte do dinheiro que se pretende atingir para diminuir o défice provém de medidas que incidem sobre funcionários públicos, aposentados e reformados, sendo que, por exemplo, o esforço exigido ao sector financeiro e ao sector energético em conjunto significam apenas o equivalente a 3,8% do pacote total de austeridade.

A má distribuição dos sacrifícios, que nem é novidade com este executivo, terá resultados bem negativos na economia nacional e esses vão sentir-se já no final deste ano, na época do Natal, onde a quebra de actividade comercial será já bem nítida, e no próximo ano todas as previsões de melhoria do PIB sairão furadas, com toda a certeza.

terça-feira, outubro 15, 2013

INCONGRUÊNCIA DE CRITÉRIOS



Num dia ouvimos Portas dizer que houve quem quisesse assustar e alarmar os idosos, e que não havia nada que o justificasse porque a medida que iria ser tomada não atingiria 96,5% dos beneficiários, e que o patamar a partir do qual existiriam cortes era para pensões superiores a 2.000 euros.

Logo no dia seguinte um alto dirigente do PSD vem anunciar que quanto aos salários dos funcionários públicos haverá cortes de 2,5% a 12%, começando em salários a partir dos 600 euros, o que significa que são atingidos 100% dos funcionários públicos.

Em Portugal temos diversos patamares de dignidade que vão desde 485 euros, passam pelos 600 euros e vão até aos 2.000 euros. Portas e Passos Coelho têm conceitos muito elásticos sobre patamares de dignidade.

Quem tenha lido a imprensa destes dias talvez não tenha reparado mas dos 4.700 milhões de euros que o governo pretende poupar em 2014 não existe um único cêntimo que tenha proveniência do lado dos lucros ou do capital financeiro, o que diz muito da falta de Justiça na repartição dos sacrifícios.

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Pintura Africana 


domingo, outubro 13, 2013

PORTAS O PANTOMINEIRO



Depois dum Conselho de Ministros de diversas horas foi simplesmente caricato ouvir da boca de Paulo Portas a explicação sobre a chamada TSU dos viúvos. A fuga de informação sobre o corte das pensões de sobrevivência aconteceu há uma semana e percebeu-se que as coisas estavam mal desenhadas, havendo apenas um montante de poupanças que se queria atingir.



A comunicação de Portas durante o horário nobre das televisões visando esclarecer os tais cortes nas pensões de sobrevivência, antecedidos da afirmação de que “houve quem quisesse assustar e alarmar os idosos”, veio a situar num patamar  de 2 mil euros a efectivação de cortes, que de qualquer modo serão progressivos e que nunca atingirão a totalidade da pensão.


Os patamares que este governo estabelece para o corte nos rendimentos dos portugueses são demasiado elásticos, como se percebe nesta decisão anunciada por Portas, pois como se sabe nas pensões, nos subsídios e nos vencimentos o critério é muito mais lato e existem cortes a partir de patamares muito inferiores.


Portas tentou salvar a face nesta decisão, mas agora o Tribunal Constitucional terá que ter em atenção também esta decisão, quando tiver que analisar outros cortes que se desenham no próximo Orçamento de Estado.


Este exercício de desculpabilização e de coerência com as promessas anteriormente feitas vai sair muito caro ao governo e irá certamente custar mais uns chumbos às medidas que estarão contidas no OE de 2014, que se prevê trará ainda mais austeridade a ser suportada pelos suspeitos do costume.

sábado, outubro 12, 2013

A LÓGICA DA BATATA



Leio jornais todos os dias e compreendo que eles veiculem as notícias que o governo vai soltando a conta gotas, principalmente as que dizem respeito aos cortes com que constantemente somos brindados pelo executivo.
Na realidade para além das notícias do desporto, dos casos de polícia e dos tribunais, resta apenas a política nacional e internacional já que o jornalismo de investigação não existe.
É divertido ver como são tratadas as notícias em dias quase seguidos, como por exemplo ler num dia um título que diz que “corte de salários e pensões é necessário” para baixar o défice, e que a “reforma” do Estado está a ser feita com lógica, seguido dois dias depois por outro título em que se diz que “575 mil funcionários públicos arriscam corte no salário que pode chegar a 10%. Junte-se a isto o editorial deste último dia a sugerir que é quase irrelevante taxar mais os mais ricos (os que auferem mais de 80 mil euros/ano brutos), e noutro lado dizer-se que a subida do IVA reduzido renderia muito mais.
É difícil encontrar a lógica de Passos Coelho, que vai soltando informações antes dos anúncios reais, para ver das reacções, bem como a lógica da imprensa que não comenta o corte indiscriminado dos salários superiores a 600 euros num montante fixo (não progressivo) de 10%, mas se preocupa com as taxas dos mais ricos.
A lógica que impera é a da batata, onde não vale a pena taxar os ricos porque rende pouco, mas pode-se taxar funcionários públicos desde os míseros 600 euros, os reformados, os viúvos, os desempregados e todos os que não recebem mais de 6700 euros mensais…