Na comparação com César, Passos
Coelho fica a perder por muito, por isso o 1º ministro não devia copiar o
conceito «divide et impera» pois
falta-lhe a arte e os argumentos do governante romano.
A táctica é antiga, mas o
executivo tem usado e abusado dela na maior parte das vezes sem a força da
razão, como agora. Ao dizer que o sector privado foi “duplamente penalizado”
para poupar o Estado, onde segundo ele tem deparado com problemas “legais”, Passos
Coelho incorre numa contradição e omite muita coisa.
Os problemas legais a que alude
são as medidas que eram absolutamente inconstitucionais, e não creio que alguém
defenda a ilegalidade num Estado de direito. Quanto às penalizações talvez
fosse mais honesto dizer que se cortaram subsídios a funcionários e a
pensionistas, com medidas ditas excepcionais e irrepetíveis, criaram-se taxas
só para funcionários públicos e reformados e aumentaram-se os descontos para a
ADSE. Aumentos de salários e de pensões também não aconteceram.
Importa perguntar porque é que
aumentaram as despesas do Estado, porque o número de funcionários diminuiu mais
do que foi acordado com a troika. Aqui começam a surgir os desempregados, mas
eles resultam das políticas seguidas, mas mesmo assim as prestações sociais
diminuíram, pois também aí se cortou indecentemente.
O que é que faz então com que a
despesa do Estado não diminua, senhor 1º ministro? Diga quais são os itens que
teimam em não baixar, porque só assim alguém o poderá levar a sério.




