quinta-feira, outubro 10, 2013

DIVIDIR PARA REINAR



Na comparação com César, Passos Coelho fica a perder por muito, por isso o 1º ministro não devia copiar o conceito «divide et impera» pois falta-lhe a arte e os argumentos do governante romano.

A táctica é antiga, mas o executivo tem usado e abusado dela na maior parte das vezes sem a força da razão, como agora. Ao dizer que o sector privado foi “duplamente penalizado” para poupar o Estado, onde segundo ele tem deparado com problemas “legais”, Passos Coelho incorre numa contradição e omite muita coisa.

Os problemas legais a que alude são as medidas que eram absolutamente inconstitucionais, e não creio que alguém defenda a ilegalidade num Estado de direito. Quanto às penalizações talvez fosse mais honesto dizer que se cortaram subsídios a funcionários e a pensionistas, com medidas ditas excepcionais e irrepetíveis, criaram-se taxas só para funcionários públicos e reformados e aumentaram-se os descontos para a ADSE. Aumentos de salários e de pensões também não aconteceram.

Importa perguntar porque é que aumentaram as despesas do Estado, porque o número de funcionários diminuiu mais do que foi acordado com a troika. Aqui começam a surgir os desempregados, mas eles resultam das políticas seguidas, mas mesmo assim as prestações sociais diminuíram, pois também aí se cortou indecentemente.

O que é que faz então com que a despesa do Estado não diminua, senhor 1º ministro? Diga quais são os itens que teimam em não baixar, porque só assim alguém o poderá levar a sério.



sábado, outubro 05, 2013

O ARROTO DO CHERNE



Há gente que tem a memória muito curta, e Durão Barroso parece estar completamente desmemoriado, ou então perdeu definitivamente a vergonha.

Talvez seja útil recordar o que se passou há uns anos, quando um 1º ministro decide abandonar o seu lugar, numa altura em que o país já começava a demonstrar sinais de uma crise que se aproximava. Para os mais esquecidos recordo que o sucessor foi Santana Lopes, que teve o destino que se conhece.

Podem sempre dizer que é justo procurar uma situação melhor para a sua vida pessoal, mas aqui estamos a falar exclusivamente de política.

Ao dizer que está o “caldo entornado” se Portugal não der continuidade às medidas de austeridade, e ao mandar recados ao Tribunal Constitucional, Durão Barroso estava mesmo a pedir que os portugueses lhe lançassem à cara que o seu percurso na política portuguesa não é de boa memória e que reconhecidamente se sabe que coloca os seus interesses pessoais à frente dos interesses nacionais, por isso não é minimamente fiável.

quinta-feira, outubro 03, 2013

D. ISABEL E JAN VAN EYCK



Jan van Eyck foi incumbido por Filipe o Bom de várias missões diplomáticas, uma das quais consistiu na visita a Portugal, onde pintou dois retratos de D. Isabel a futura mulher do duque. Esses retratos perderam-se mas existe ainda um desenho à pena e tinta-da-china sobre papel (séc. XVII), cópia do retrato da Infanta. Há quem defenda a influência que esta viagem a Portugal de Jan van Eyck na pintura nacional, e em particular nos Painéis de S. Vicente.




Desenho à pena e tinta-da-china sobre papel (séc. XVII), cópia de retrato da infanta D. Isabel realizado em Portugal, entre Janeiro e Fevereiro de 1429, por Jan van Eyck, em missão por conta do duque de Borgonha (colecção particular alemã em 1961, actual local de conservação desconhecido).
“O retrato foi pintado em duplicado, conforme a relação da embaixada borgonhesa a Portugal refere, mas nenhuma das duas versões sobreviveu até aos nossos dias. Tanto a representação de uma moldura ornamental (onde figuram elementos decorativos alusivos à Ordem do Tosão de Ouro, fundada apenas em Janeiro de 1430, por ocasião da chegada de Isabel ao ducado), como a inscrição exterior em torno da mesma, são posteriores ao quadro de 1429. Em contrapartida, a inscrição interior «LINFANTE DAME ISABIEL» que parece cinzelada na pedra, num estilo de trompe-l'oeil frequente na pintura eyckiana, pertence provavelmente à pintura original. A inscrição exterior localiza o retrato copiado com precisão: «Cest la pourtraiture qui fu envoiié a phe duc de bourgoingne & de brabant de dame ysabel fille de roy Jehan de portugal & dalgarbe seigneur de septe par luy conquise qui fu depuis feme & espeuse du desus dit duc phe».

terça-feira, outubro 01, 2013

AVISOS



O povo é soberano e mesmo quando é ameaçado e o tentam enganar, sabe responder penalizando quem o prejudica.

As recentes eleições autárquicas mostraram que o povo já começou a reagir às medidas gravosas que têm vindo a ser implementadas pelo actual governo, que em vez de resolverem os problemas ainda os têm agravado.

Governo e troika terão de tirar as devidas ilações dos resultados eleitorais, a menos que desejem lançar Portugal num caos social e a Europa numa mais grave crise económica.