sexta-feira, maio 17, 2013

A ESTRATÉGIA DE PASSOS COELHO



Passos Coelho apresentou-se ao eleitorado com promessas de não cortar salários, de defesa dos reformados e contra os despedimentos, tudo o que depois no poder, esqueceu a tolda a velocidade.

Eu penso que alguns eleitores se esqueceram da intenção demonstrada pelo líder do PSD de fazer uma revisão extraordinária da Constituição, que disse ser inadequada e até prejudicial ao crescimento do país.

Quando o PSD forçou o governo de José Sócrates a pedir ajuda externa, havia uma agenda escondida, que só se revelou completamente à medida que se começaram a conhecer as medidas negociadas pelo novo governo com a troika.

As promessas eleitorais e mesmo o programa deste governo não abarcavam a maior parte das medidas entretanto tomadas, que vão sendo justificadas por imposição da troika, o que não é compatível com as declarações públicas dos responsáveis dos organismos que compõem a troika.

Os cidadãos têm direito a conhecer o que o governo negoceia com a troika e quais as posições das partes, para que não tenhamos de ouvir da voz dos responsáveis europeus, que a austeridade que nos está a ser imposta não foi da sua autoria, como constava.
 
Se nem toda a austeridade foi imposta pela troika, então temos aqui a mão do governo, e portanto temos uma agenda escondida do seu chefe, o 1º ministro. Não é novidade, mas está cada vez mais claro para todos.

Paolo Lobato

terça-feira, maio 14, 2013

DITO E DESDITO



O executivo comandado por Passos Coelho tem sido fértil em afirmações contraditórias, lançando a confusão em quase todas as suas decisões, trazendo uma instabilidade constante para os cidadãos que já perderam qualquer pingo de confiança que ainda pudesse existir.


A última confusão foi relativa aos despedimentos na função pública, que tinham sido assumidos pelo secretário de Estado, e que horas depois teve um desmentido oficial via comunicado do Ministério das Finanças.


O comunicado conhecido dizia que Héder Rosalino não assumiu despedimentos na Função Pública, nem explicitamente nem implicitamente.


Claro que a comunicação social tinha titulado o contrário, que o governo assumia despedimentos na Função Pública, mas fez mais, citou o secretário de Estado da Administração Pública que disse que o novo regime de requalificação que passará a dar direito ao subsídio de desemprego se aproxima da figura do despedimento, como dizem os sindicatos, e que ele “não assumiria isso como uma crítica, assumiria como uma realidade objectiva”.


Héder Rosalino ainda argumentou que o objectivo desta trapalhada é promover a equidade entre o sector público e privado. Estava o secretário de Estado a referir-se aos despedimentos, tendo até comparado as diferenças entre os funcionários admitidos antes e depois de 2009, dizendo que a a lei garante direitos a uns e não garante a outros.


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Esclarecimento

Já que tanto se fala de equidade, e porque parece que há muita gente que faz confusão fica aqui uma precisão: não julguem que a palavra deriva Equus, como já ouvi por aí, fazendo-se assim confusão com os asnos, que estes sim, são Equus africanus asinus.

domingo, maio 12, 2013

A CONFIRMAÇÃO



Desde há algum tempo o CDS tem andado a fazer o seu número, que é o de estar no governo, afirmando estar contra algumas medidas mais gravosas, mas acabando sempre por concordar com elas dizendo que é a bem da nação.

O apego ao poder demonstrado por Paulo Portas e o seu partido, mas também de algumas figuras importantes do próprio PSD, que dizem ser contra as políticas seguidas por Passos Coelho e pelo seu executivo, fica demonstrado por não levarem nunca as suas discordâncias às últimas consequências.

Mais uma vez terá que ser a oposição a obrigar o Tribunal Constitucional a intervir em matérias que claramente estão feridas de inconstitucionalidade. Claro que alguns ainda esperam algo de Cavaco Silva, mas daí já não espero nada de útil.

Título do Jornal de Negócios: CDS aceita "excepcionalmente" TSU sobre pensões 


sexta-feira, maio 10, 2013

ISTO NÃO É UM GOVERNO



Os cidadãos votam e por essa via escolhem quem acaba por nomear todos os membros do governo, a começar pelo 1º ministro. O governo responde perante o povo e perante os seus eleitos (o Parlamento), devendo ser julgado segundo o cumprimento das suas promessas e do seu programa eleitoral, e sobre a sua acção em prol dos cidadãos, e em respeito da Constituição.

O executivo de Passos Coelho não reúne nenhuma das condições expostas no parágrafo anterior, mas ainda consegue fazer pior, que é ignorar a vontade do povo, e obedecer a instituições exteriores que acabam por se sobrepor ao interesse nacional.

Depois da troika agora vem a OCDE mandar mais uns palpites, todos eles na direcção de destruir o Estado social que ainda temos, deixando um país que empobrece a cada dia que passa, cada vez mais deprimido e à beira de convulsões sociais que já começam a desenhar-se em todos os sectores da sociedade.

Os cidadãos não elegeram o governo para este ser uma emanação de interesses estrangeiros, nem para verem os seus direitos sociais extintos, o que não foi nunca uma promessa eleitoral. O pais inteiro está a ser destruído por um governo incompetente, que mentiu ao apresentar-se ao eleitorado, e que está mais interessado em servir interesses estrangeiros do que os dos seus cidadãos.