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terça-feira, maio 29, 2018

VISITANTES E PATRIMÓNIO


Tenho seguido bem de perto muitas das discussões sobre Património, a sua divulgação e o pulsar dos visitantes. As opiniões que tenho ouvido têm sido proferidas maioritariamente por agentes culturais ligados às direcções de museus e outras instituições do sector.

Tecnicamente estes profissionais superiores têm qualificações para falar dos problemas do sector, e muitos deles vestem a camisola pelos serviços a que pertencem, mas devido às funções que desempenham têm pouco contacto com o público, que maioritariamente pouco percebe de Arte e de História.

As discussões (debates) centram-se geralmente em técnicas expositivas, nos meios complementares de informação, na divulgação e rotação das colecções, e outros detalhes mais específicos de cada instituição, e percebe-se porque faz parte do seu trabalho.

Uma questão que fica muitas vezes ausente destas discussões é o modo de atrair visitantes, partindo do conhecimento que temos dos dados estatísticos, mas também dos comentários e opiniões dos visitantes anónimos (a grande maioria). Há quem tenha o contacto privilegiado com estes visitantes, nos museus evidentemente, mas esses nunca são ouvidos.

Outras vertentes que também são praticamente ignoradas são, a do marketing, e a do contacto preferencial com os guias e operadores turísticos.

Dito isto, posso afirmar que muito do que se discute não faz parte das preocupações imediatas dos visitantes do nosso Património, e digo-o sem tentar desvalorizar o trabalho e as opiniões de ninguém.  


segunda-feira, julho 22, 2013

A CRISE E OS MUSEUS E MONUMENTOS



A afluência de público a museus e monumentos é bastante diversa consoante as zonas do país e mesmo consoante as zonas da cidade em que estão implantados.

As agências de viagens que organizam os percursos para os seus clientes trabalham sobre determinados eixos onde estão situados pontos de interesse bem conhecidos e devidamente publicitados. Zonas como Sintra ou a zona ribeirinha de Lisboa até Belém, são dois exemplos do que já afirmei.

Este mercado cultural que descrevi é essencialmente virado para o turismo estrangeiro, e resulta em altas percentagens de visitantes estrangeiros nos museus e monumentos situados nestes eixos privilegiados, e muito baixas percentagens de visitantes nacionais.

Claro que podemos falar da crise económica para explicar uma certa diminuição de visitantes nacionais, tanto nos equipamentos bem situados como nos situados longe desses eixos, mas não é só essa a razão desta diminuição. Os preços também são elevados para o nosso nível de vida.

A política de manter entradas grátis aos domingos pela manhã, mantida por alguns museus e monumentos, é uma modo de fomentar as visitas por parte dos portugueses, e mesmo os equipamentos mais visitados que não têm esta política, podiam fazê-lo na época baixa. Não sou favorável a entradas grátis para turistas estrangeiros, mas sou favorável a uma discriminação positiva para os cidadãos nacionais.


Américo da Silva Amarelhe - CAM Fundação Calouste Gulbenkian