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sexta-feira, agosto 14, 2015

MÁ-FÉ E BOTIJAS DE GÁS



Os comerciantes que revendem as garrafas de gás são, em princípio, pessoas honestas e honradas, é evidente, mas por causa duma medida do governo, discutível como muitas outras, deitou a perder muita da consideração que os consumidores neles deviam depositar.

Decidiu o executivo que os comerciantes deviam descontar o valor do gás não consumido, quando se devolvem as garrafas, efectuando assim a pesagem das ditas, para se calcular o que não foi consumido pelo cliente.

A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), que os representa, veio a público anunciar a apresentação de uma providência cautelar, porque a medida pode vir a causar mortes.

A explicação da ANAREC parte do princípio da má-fé dos consumidores, pois hipoteticamente estes poderiam querer colocar outro tipo de líquido nas garrafas, em vez do gás, para daí obterem vantagem. O argumento da má-fé dos consumidores cai muito mal, porque não me recordo de ouvir por parte dos consumidores vozes a exigir pesar a botijas entregues como cheias, e muito menos ouvi um só sugerir que os revendedores poderiam acrescentar peso às garrafas, para poderem vender menos gás pelo mesmo preço, podendo assim obter lucros indevidos.

Atenção que o feitiço bem pode voltar-se contra o feiticeiro...