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sexta-feira, junho 22, 2018

MUSEU DAS DESCOBERTAS AINDA MEXE

Já manifestei a minha opinião sobre a polémica em torno da escolha deste nome para um possível/futuro museu, afirmando que o maior problema, para mim, é desconhecer o espólio do mesmo e a mensagem que se pretende transmitir, e não o nome, porque aí só existe a diferença entre o real significado das palavras “Descobertas” ou “Descobrimentos” e a interpretação de alguns, com a qual não concordo.

Agora surgiu no Público uma carta com vários subscritores, que parecem ter em comum o facto de serem afrodescendentes, e que se insurgem contra este museu.

Não tenho nada contra a opinião dos outros, só porque discordo deles, mas acho que não vinha a propósito a cor da pele, mencionada na carta, nem achei legítimas afirmações como a de estarem por isso “excluídos do corpo nacional”, por esse motivo, quando são livres (como se viu) de expressar as suas opiniões. Também não percebi a frase “não aceitamos um Museu construído sobre os ombros do silenciamento da nossa História…”, pois fiquei sem perceber se estão a expressar-se enquanto portugueses ou enquanto estrangeiros.


Quanto à exigência dum Museu do Colonialismo, da Escravatura ou da Resistência Negra, acho que é uma exigência estranha, já que o Museu das Descobertas, a existir, deverá abarcar o tema e as suas consequências, agradáveis e menos agradáveis, sempre de acordo com fontes históricas, pois só assim o concebo.

Imagem do Público 22/06/2018

sábado, maio 19, 2018

DESCOBERTAS - PORMENORES DA HISTÓRIA

Quando a 3 de Março de 1493, Cristóvão Colombo entrou no porto, no Restelo, num navio muito danificado, D. João II foi informado pelo navegador, patrocinado pelos reis católicos, da pretensa descoberta da Índia, tendo mesmo mostrado um refém da região a que terá aportado, que não era, evidentemente, africano.

Colombo não sabia, mas navegara para o lado errado, na sua busca pela Índia. Só os portugueses sabiam o suficiente para descobrir o caminho marítimo para esta região e, ao fazê-lo, unir o mundo. Pêro da Covilhã e Bartolomeu Dias tinham fornecido as informações suficientes para se iniciar uma expedição com possibilidades reais de descobrir o caminho marítimo para a Índia.

O projecto da expedição organizada já no reinado de D. Manuel I, tinha sido forjada com o espírito das cruzadas, mas também tinha uma dimensão material de retirar o monopólio do comércio aos mamelucos, como também substituir os venezianos como centro do comércio de bens de luxo do oriente.

O objectivo de chegar às Índias, um espaço ainda indefinido, dada a falta de conhecimento pormenorizado que, na imaginação europeia, incluía todo o oceano Índico e qualquer outro sítio onde crescessem especiarias.


Texto adaptado do livro de Roger Crowley, Os Conquistadores.