Se a política é muitas vezes comparada a uma porca onde mamam muitos porquinhos, também é verdade que os economistas são comparados a futebolistas, que só fazem previsões no final dos jogos.
Vivemos tempos difíceis a nível económico e são cada vez mais frequentes «os palpites» da horda de economistas e analistas económicos para que se controlem as actualizações salariais, como se elas de facto tivessem sido reais, ou esse fosse o factor essencial para afastar o espectro da recessão, palavra que evitam pronunciar.
Falo a propósito do endividamento externo, que se quer controlado, e bem, mas que se pretende combater com um processo de asfixia do poder de compra dos portugueses que trabalham por conta de outrem, sem se intervir directamente sobre quem «facilita o endividamento» com grandes campanhas publicitárias onde a facilidade é rainha. Nós, portugueses, podemos ser facilmente iludidos, mas nem todos são ingénuos ao ponto de não perceberem que a preocupação está situada muitos degraus acima, nos bancos e nas grandes empresas cotadas em bolsa, e seus accionistas, que neste momento estão a perder grandes quantias.
Há dois erros clamorosos de análise, o primeiro quanto ao tratamento, que não pode continuar a ser por via da compressão dos salários, a menos que se pretenda afectar a paz social, e o segundo, porque se continua a querer ignorar que as grandes empresas e bancos agora em risco, amealharam em tempos muito recentes lucros milionários, tendo por isso contribuído em larga escala para o endividamento e para a situação económica que atravessam. O lucro em si mesmo é legítimo, quando obtido por vias legais, mas o risco também tem que ser assumido por quem o correu.



