Quando tanto se fala de intervenção cívica e de participação dos cidadãos na vida política do país, talvez fosse útil uma leitura da obra de Antero de Quental para se perceber que os tempos que passamos não suscitam de todo questões novas.
Tal como transparece das ideias de Antero, é imperiosa a defesa do primado da ética sobre a economia, pois ela é a principal determinante da libertação dos seres humanos. Tal com Proudhon advogava, “ o mundo só pela moral será libertado e salvo”.
Ao contrário de muitos, Antero que era considerado um anarquista, não advogava a fúria revolucionária, mas sim um radical voluntarismo baseado na educação das mentalidades e sustentado pelo ideal da fraternidade.O pensamento moral de Antero, que nem era religioso, revela-nos um personagem dominado pela ética e votado ao respeito da consciência individual, que se pode perfeitamente conotar com o socialismo.
Saliento que ele condicionava a mudança social a uma prévia pedagogia capaz de desenvolver nas consciências individuais o desejo da prática do bem, no intuito de “ fazer reinar a Justiça na esfera dos interesses e, por esse meio, nivelar as classes, levantar os oprimidos, suprimir a miséria, chamar as multidões à vida da inteligência, da dignidade, do bem-estar e da moralidade”.
A obra e artigos político-filosóficos de Antero de Quental merecem ser revisitados nas férias de Verão.
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Humor - O Desvio







