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terça-feira, março 17, 2009

ANTÓNIO BOTTO

Palavras dum faisão

Perdi-me d'amor!


É uma pomba muito azul -

Um azul cor de céu quando há sol;

E hei-de fugir com ela

Por causa dum rouxinol ciumento

Que me apoquenta

Dizendo

Melodias de ironia penetrante.

Iremos

A esse país nevoento,

Lendário, belo, distante,

Lá onde a Lua se esconde

Em névoas que eternamente lá pairam...


Ó névoa, porque envolveis

O país de Lord Byron?


Às vezes

Penso num pajem que me teve

E num rei que me beijava

Quando a Rainha dormia...

Mas quando lho disseram

Bateu-me tanto

Que eu em longos ais morria...


Não ouvem?...


Lá continua

De novo

O rouxinol a dizer...

Ai, mas, se houver

Uma pequena verdade

No que ele insinua

- É lume caindo numa ferida -

Jamais aqui voltarei.


Num lago da velha Escócia

Darei fim à minha vida.


António Botto



Um poeta "maldito", despedido da função pública num processo deveras interessante, por uma sociedade hipócrita. Vale a pena ler AQUI e AQUI.

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