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sexta-feira, abril 26, 2013

O ÁRBITRO INÚTIL



O discurso de Cavaco Silva neste 25 de Abril veio confirmar tudo o que eu pensava de semelhante criatura.

De qualquer árbitro espera-se imparcialidade e bom senso, e se tais atributos não existirem, então é inútil a presença do árbitro. Cavaco Silva mostrou claramente a sua inutilidade enquanto árbitro, ao tomar partido por uma das partes, ignorando o sentir e a vontade do povo.

As palavras ocas quanto ao desemprego e quanto ao excesso de austeridade, só têm paralelo com o pedido de fiscalização da constitucionalidade do Orçamento de Estado sem disso tirar as consequências necessárias. O cúmulo foi ver o chefe de Estado afirmar o seu medo em dar a voz ao povo, dizendo ser insensato pedir-se eleições antecipadas.

O governo perdeu a sua legitimidade por não cumprir as promessas eleitorais, e Cavaco Silva escolheu o seu lado da barricada, que não é o meu nem o dos portugueses que querem ser donos do seu destino.



quinta-feira, janeiro 10, 2008

O SHOW E A REALIDADE

Quem não ouviu os elogios trocados cá dentro e o alarido em redor dos sucessos obtidos durante a presidência portuguesa da União Europeia? Houve festa, lançaram-se foguetes, fizeram-se banquetes, e foi ver os nossos políticos colocarem-se a jeito para as fotografias nos momentos altos do último semestre.
Com mais serenidade, vieram alguns recordar que a Alemanha preparou a ocasião e fez o trabalho necessário para que o Tratado da União viesse a ser assinado num país pequeno, para que não tivesse o ónus de ser aprovado durante a presidência dum país grande, o que daria sempre a sensação de ser uma imposição dos que mais ganham com a sua ratificação. Por cá, alguns pensaram, ou fingiram pensar, que tinham tido um grande protagonismo e que os seus nomes iam ficar para sempre na história europeia.
O acordar de certos sonhos de grandeza é frequentemente cruel, pois cai-se na realidade e da grandeza nada resta, antes sobressai a fraqueza e a dependência de quem de facto domina e mexe os cordelinhos que movem os actores como se de simples marionetas se tratassem.
Começou com o Lisboa – Dakar, onde com informações secretas da inteligência francesa (onde é que eu já vi algo parecido?), e com o governo francês a aconselhar os seus cidadãos a não se deslocarem à Mauritânia, se cancelou o rali. Talvez eu esteja a subestimar a ameaça, mas que já se está a desenhar um outro rali Paris – Pequim isso ninguém o nega, até porque é o reavivar duma memória de outros tempos do automobilismo francês e já está sobre a mesa.
Agora nem foi preciso tentar adivinhar, foi tornado público que houveram várias comunicações de governos europeus a pressionar o nosso governo para não realizar o prometido referendo, demonstrando à evidência uma inadmissível ingerência na soberania nacional, que contudo foi acatada pelo nosso governo.
Disse o senhor 1º ministro que este tratado não é o mesmo que se comprometeu a referendar. Tenho para mim que é em tudo igual e que a soberania nacional não está apenas ameaçada, está antes amputada do poder de decisão como deste caso saiu absolutamente evidente.


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