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sexta-feira, janeiro 07, 2011

REPETIR A MENTIRA

Diz-se que uma mentira repetida muitas vezes acaba por se transformar em “verdade”, mas isso acontece apenas quando as pessoas estão dispostas a acreditar em qualquer coisa.

Durante vários anos e pela boca de muitas pessoas, disse-se que o Estado em Portugal era um monstro e que acabaria por dar cabo do país. Alguns governantes falaram das “gorduras” do Estado, e afirmaram que o iriam “emagrecer”.

A verdade porém é só uma, e muito do que diz é uma mistificação. Comecemos por Cavaco Silva, o tal que chegou a falar do “monstro”, e temos que foi durante os seus governos que o Estado mais “engordou”, mas também podemos falar de José Sócrates, e do nascimento de fundações a cada doze dias.

O Estado, com muito mais funções do que hoje tem, antes de Cavaco Silva, não era tão “gordo” nem consumia os quase 50% do PIB. Mas também não são os tais 50% do PIB que se podem gastar com o funcionamento do Estado, que importam muito, porque os países mais avançados da Europa e com os melhores sistemas de segurança social até gastam mais, só que gastam melhor.

O que “engorda” o Estado é o modo como se gastam os dinheiros, como se criam estruturas apenas para colocar clientelas políticas, e como se criam outras para fintar a fiscalização prévia do Tribunal de Contas, e as regras dos concursos públicos e admissões.

Porque é que PS e PSD não estão interessados em acabar com as fundações sem qualquer interesse, os institutos públicos que sejam desnecessários e as empresas públicas e municipais que apenas serviram para substituir serviços que antes eram da responsabilidade dos ministérios e de câmaras municipais? Acabavam-se milhares de lugares de administradores, e outras chefias hoje ocupados por pessoal de confiança dos partidos que passaram pelo governo!   

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Fotografia Invernosa

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Humor - Evolução Religiosa
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quinta-feira, novembro 22, 2007

ALTERAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO

Dois membros desta comissão (do trabalho) demitiram-se por razões que só agora foram tornadas públicas pela comunicação social. Pelo depoimento de um dos demissionários concluo que a razão que sintetiza melhor a sua decisão foi a de deixar de acreditar que seja ainda possível conseguir-se um consenso favorável aos trabalhadores.
Já tinha ficado claro, mesmo antes da constituição desta comissão que o equilíbrio de forças entre as duas partes, empregadores e empregados, estava demasiado desequilibrado a favor dos primeiros,
A Europa com verdadeiras preocupações sociais começa a ficar restrita aos países nórdicos, onde a consciência cívica é matriz desde os bancos da escola e o bem comum é uma característica civilizacional. No resto do continente começamos a ver o avanço para um capitalismo selvagem, que passo-a-passo vai tomando forma, enquanto os direitos dos trabalhadores e dos pequenos empresários, vão soçobrando com o beneplácito dos governantes.
A médio prazo esta é uma estratégia suicida, não só porque a contestação social vai aumentar e as verbas para a acção social também vão escassear por esta via, mas sobretudo porque o envelhecimento das populações se vai agravar ainda mais com as políticas de baixos salários e mais precariedade. A Europa com estas políticas economicistas está condenada ao fracasso económico, por não poder competir com as mesmas armas os países emergentes, e a União que alguns sonharam, mas que está a ser construída sem a participação dos cidadãos, irá desagregar-se quando os Estados deixarem de ter capacidade para o apoio social, ou quando a contestação subir a patamares mais difíceis de conter.
Os sinais já começam a manifestar-se em diversos países, como a Alemanha, a França, a Inglaterra e Portugal, mas os governantes e o grande poder económico teimam em não ver a realidade.


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