O que se passa neste momento em França, com os protestos dos
“coletes amarelos” é apenas mais um dos sinais dos grandes problemas sociais
que as democracias enfrentam nos nossos dias.
As instituições democráticas, os partidos e os políticos, têm
ignorado o que sentem os povos, as suas necessidades, e os seus anseios, e por
isso têm aberto o caminho ao populismo, e também aos protestos inorgânicos (não
enquadrados politicamente), que depressa se transformam em fenómenos incontroláveis.
Lá fora ou cá dentro, são cada vez mais as pessoas que não
se sentem representadas pelos partidos políticos, ou pelos sindicatos, ou
outras organizações da sociedade civil, e transformam-se assim em potenciais
apoiantes de movimentos ou indivíduos que se apresentem como possíveis
aglutinadores da vontade de mudança, e que condenam apenas o que existe, sem
nunca apresentarem um projecto estruturado para o futuro.
Sociedades insatisfeitas são facilmente instrumentalizadas,
e os maus políticos que são cada vez mais numerosos, parecem não perceber o
barril de pólvora que se está a criar…