Montenegro está agora a fazer um discurso ainda mais populista, na defesa do pacote laboral que pretende implementar, apesar de não ter conseguido passar na Concertação Social, e estar a merecer o repúdio da grande maioria dos portugueses.
Agora, em Braga, veio dizer que o pacote é bom para todos, e que há pessoas que não conseguem entender a sua bondade. Não sei se sugerir que o povo é ignorante é uma boa estratégia, mas ele lá sabe.
Uma das medidas que parece ser uma bandeira que lhe agrada é a do banco de horas, que ele diz que é favorável e benéfica para todos, patrões e trabalhadores. Montenegro pode enganar alguns incautos, mas a maioria dos trabalhadores sabe como esse banco de horas funciona. O patrão avisa com os 3 dias de antecedência que vão ser necessárias 2 horas extra, por dia, nas próximas semanas para satisfazer as necessidades da empresa, e o trabalhador terá que as fazer, naturalmente. Em princípio o trabalhador ficaria com horas para gozar quando lhe fosse conveniente, e avisa o patrão com a devida antecedência que as quer gozar, e aqui reside o problema, pois o patrão pode recusar esse direito alegando a não oportunidade de tal pedido, por necessidades de serviço.
O banco de horas é um instrumento em que o patrão é que decide quando quer trabalho extraordinário, e quando é que o trabalhador poderá gozar esse tempo extraordinário. Montenegro sabe como é mas não o revela, fazendo parecer que é uma medida que funciona igualmente para os dois lados, patrão e trabalhador, o que é uma falácia.

Inteiramente de acordo. O patrão fica com os trunfos todos na mão.
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