segunda-feira, fevereiro 22, 2021

OS ASCENSOS DE PORTUGAL

Muitos são os portugueses que falam do antigo regime sem nunca o terem vivido, ou estudado, e muitos são os que viveram nesse regime e, repentinamente, se tenham transformado em revolucionários logo no dia 25 de Abril de 1974. Claro que também há os que ficaram presos no dia 24 e de lá não tenham querido sair pelos mais diversos motivos.

Chamo Ascensos aos que têm a ideia de que uma data ou evento implique em si mesmo o corte absoluto com o passado, com tudo o que isso acarreta, como se a memória não exista e como se ignorando o passado se pudesse projectar um futuro melhor e mais justo.

A ideia de retirar ou destruir o Padrão dos Descobrimentos é uma perfeita idiotice, com é uma idiotice alguém ter afirmado que “devia ter havido sangue, devia ter havido mortos” no 25 da Abril, que depois tentou emendar com cortes epistemológicos.

Muitas vezes diz-se que há que não viva bem com o passado, e os portugueses (muitos) claramente vivem mal com o passado deste país milenar. Estudar a História ajudava a compreender muitas coisas, mas nem todos o querem fazer, e muitos que podiam ajudar nessa compreensão, enquadrando factos nas épocas e nos contextos em que aconteceram, não o fazem, muitas vezes por factores ideológicos que contaminam a percepção dos acontecimentos.

É difícil rebater ideias sobre Portugal e a sua História quando alguém desconhece em absoluto os factos e os contextos, e desta a tecer julgamentos à luz do que pensamos hoje e com a moral e costumes dos nossos dias. É tempo perdido na maior parte das vezes, mas temos que continuar a fazer esforços, ainda que sendo incompreendidos…

Gaston Bachelard

 

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