A memória é muitas vezes uma
coisa lixada, porque há pessoas com tendência para esquecer o que disseram,
logo que se passam uns dias sobre as afirmações.
Ouvi nestes dias muitos
comentadores, advogados e jornalistas a falar do caso da medida de coacção
imposta a Ricardo Salgado, como se ela fosse algo de muito estranho, ou até
mesmo uma forma de humilhação imposta ao banqueiro.
Como a memória é curta em muitos
casos, relembro o caso de José Sócrates, quando foi ouvido sobre a possível
vigilância com pulseira electrónica, que não aceitou, e que nessa altura muitos
alvitraram que a vigilância na residência feita por forças policiais teria sido
mais de acordo, em vista da recusa da pulseira, ao contrário do regresso à
prisão, que acabou por ser a solução dada pelo juiz.
Não tenho qualquer simpatia por
um ou por outro, diga-se em abono da verdade, e apenas lamento que ambos custem
tanto dinheiro ao erário público, e que, pelos vistos, tenham prejudicado tanta
gente.
