Quase não há dia em que algum
membro deste (des) governo deixe de meter a pata na poça, que é como quem diz,
mete os pés pelas mãos.
Poiares Maduro meteu-se numa
cruzada de controlo da RTP, e como não tinha poderes para fazer as suas
próprias escolhas, ou as do governo, “pegou” pela compra dos direitos
televisivos da Liga dos Campeões, que podia trazer audiências à RTP, e
sobretudo muita publicidade que podia cobrir a verba gasta, um negócio que
aborrecia as televisões privadas.
O recurso ao Conselho Geral
Independente, ao mesmo tempo que se condenava abertamente o tal negócio,
pareceu a todos um pedido para que fosse demitido o Conselho de Administração
da RTP, que tinha ousado realizar esse negócio sem a aprovação do governo e da
CGI.
A pressa em satisfazer os seus
intentos fez Poiares Maduro “passar por cima” da autonomia dos directores da
televisão pública, ao arrepio do recente Contrato de Concessão, que a prevê
claramente para esta escolha especificamente.
Temos pena, mas mesmo não sendo
grande adepto de futebol, não gostaria de ver a televisão pública ao serviço
dos partidos no poder. A dúvida que fica é a de saber se a demissão da administração
da RTP vai ser anulada, agora que a ERC “ recomendou” a total autonomia dos
directores da televisão pública, contrariando a opinião do CGI, com argumentos
legais.
